30/09/2010 – 10:09
Foto: blog do Murilo
Murilo, nunca como antes, com cara de Senador, na reta final da campanha.
A frase famosa foi extraída por arapongas de um diálogo gravado entre o então diretor do Banco do Brasil Sérgio Ricardo e o Ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros para definir a situação das privatizações ao final do governo FHC. Quem vive os bastidores da política sabe que alguns institutos de pesquisas, mancomunados com veículos de comunicação (Rede Globo e suas afiliadas, inclusive) também chegam ao limite da irresponsabilidade, manipulando, às vezes vergonhosamente, números para tentar emplacar os preferidos de alguns clientes poderosos. No início destas eleições, por exemplo, levei um baita susto, numa manhã de domingo, ao abrir um jornal da capital e ver uma manchete em letras garrafais de um desses jornais de fim de semana informando que o deputado Waldemir Moka havia atropelado seu colega de bancada Dagoberto Nogueira. Sinceramente, juro por Deus, achei tratar-se de um acidente de trânsito. Que nada, arroubo de assessoria querendo mostrar serviço. Pior, tanto estardalhaço pra nada, pois que a “vantagem” de Moka sobre Dagoberto estava dentro da margem de erro, coisa aí de dois ou três pontos percentuais.
Normalmente estas mexidas nos números acontecem na fase da pré-campanha e vão até ali por meados de setembro. A partir daí, Instituto que se preze começa a mostrar a verdadeira tendência do eleitor. Não é o caso do Ibrape e nem meu amigo Paulo Catanante seria doido de fazer uma coisa destas. Mas os números ontem publicados pelo Correio do Estado deram um panorama mais aproximado daquilo que se vê e se sente nas ruas, no contato com o eleitor. Mais, são resultado do que aconteceu na telinha da TV nestes 45 dias de campanha. Se produção de TV voga alguma coisa, como dizia minha mãe, o Ibrape está no rumo certo. Claro que estamos falando da única eleição deste ano, no Mato Grosso do Sul, que pode provocar um friozinho na barriga, uma vez que André Puccinelli, pelo que todas as pesquisas mostraram do começo ao fim, ganha de rebenque erguido de Zeca do PT com Lula e tudo.
Que Delcídio do Amaral, apesar de toda a soberba, inclusive na TV, onde só faltou ser colocado como Deuscídio, lidera a corrida para o Senado, nenhum questionamento. Mas daí a falar em atropelamento, deste ou daquele sobre aquele outro, como diz meu sogro, vão alguns números, dos que não foram manipulados. A menos que haja o atropelamento com a famosa mala preta de hoje até domingo. Aí sim, algumas tendências podem se confirmar.
Que Waldemir Moka é o candidato do coração de André Puccinelli, nenhuma dúvida. E o governador sempre foi muito honesto quanto a esta preferência, mas, como são duas vagas em disputa, em momento algum deixou de pedir votos e de fazer tudo o que esteve ao alcance das limitações políticas para tentar emplacar, também, Murilo Zauith. O que houve de escaramuças antes e durante a campanha são outros quinhentos. Murilo, afinal, pode ter a cara de sonso, mas pra besta não serve. Tanto que está aí na briga. É o candidato que, segundo o Ibrape e o Correio do Estado, mais subiu na reta de chegada e único que tem gás para virar jogo ou, para, aí sim, atropelar, de verdade, Dagoberto Nogueira e o próprio Moka. 38 % de Moka, 37% de Dagoberto e 34% de Murilo, apesar de tudo! Isso é diferença? Tudo dentro da tal margem de erro.
Outra coisa, e que pode fazer a diferença uma barbaridade: a partir de segunda-feira o jogo político a ser jogado será outro e, neste, pela ótica de André Puccinelli, Murilo Zauith é carta fora do baralho. Murilo e Nelsinho Trad. Entram em campo Simone Tebet e Delcídio do Amaral. É a partir destes nomes que tudo vai acontecer, e, desde já, todo mundo vai ter que começar a buscar um lado.
