09/10/2010 – 04:10
Quando Braz Melo assumiu a prefeitura de Dourados pela primeira vez e exorcizou cerca de mil fantasmas foi um escândalo nacional. Como assessor de imprensa “vendi” a matéria para a rede Globo, arrumando pra cabeça, pois havia ocupado o mesmo cargo na administração do prefeito anterior, Luiz Antonio Álvares Gonçalves, que pagou o pato pela fidelidade canina a Zé Elias, não demitindo a turma do lençol branco que ali já estava havia seis anos. Diante de tantos pedidos de reintegração fui ter com Harrison de Figueiredo, o secretário de administração cuja maior frustração em vida foi não ter lutado em Sierra Maestra ao lado de Fidel Castro e Che Guevara para a retomada do poder em Cuba, na virada da década de 50. E ele, curto e grosso como sempre, mas com a visão de grande homem público: “não se faz revolução sem vítimas”, intimando-me para ir com ele até a Picadinha, distrito para onde pretendia despachar os adversários políticos que não conseguira demitir.
Lembrei-me dessa história ao ver Délia Razuk tomando posse como primeira prefeita de Dourados, ontem, em pleno JN, na mesma Rede Globo que há 21 anos mostrou a “revolução” administrativa de Braz e Figueiredo, já sabendo que o novo secretário de obras do município será o engenheiro Antonio Nogueira, donde deduzi que na saúde, por uma questão de coerência, a senhora Razuk colocará alguém indicado por George Takimoto (foto), o grande ícone da medicina por estas bandas. É só fazer a analogia da coisa, como gosta de dizer o ex-vereador douradense Juarez Fiel Alves, que acaba de pagar um grande mico como candidato a deputado estadual no Mato Grosso. Ora, se Délia foi candidata a vice de Nogueira e agora manda convidá-lo para assumir sua secretaria de obras, como foi também candidata a vice de Takimoto, natural que ouça sua opinião na hora de indicar o responsável para descascar o maior abacaxi deixado pela turma do Valdecir. E, só neste caso, é que pode acontecer a tal revolução na saúde pública, para desespero dos teóricos que há tanto tempo – para nada – batem cabeça e, principalmente, dos bandidos, uns até carregando a bíblia debaixo do braço, que operam o setor que se transformou num dos maiores ralos da corrupção da prefeitura douradense, causa maior dos escândalos que vieram a público com a operação Owari e, agora, com a Uragano, da Polícia Federal.
Não sei se o projeto de Takimoto de revolucionar a saúde pública ainda faz parte de seu famoso caderninho, mas o primeiro passo, pelo que conheço de suas ideias, seria acabar com a eternamente inoperante Secretaria de Saúde. Sim, acabar!, transformando a pesada e corrupta estrutura num mero órgão repassador de recursos e fortalecendo os postos de saúde, que seriam transformados num tipo de mini-hospitais, descentralizando os atendimentos. É mais ou menos esta a lógica da coisa. Pra funcionar. E se existe alguém em Mato Grosso do Sul a quem se deve tirar o chapéu nesta área, é George Takimoto, que acaba de se eleger deputado sem sair de seu consultório, onde as filas só não se comparam com as do SUS porque ali o atendimento é humano, imediato, sem burocracia e, na maioria dos casos, “de grátis”.
Os teóricos da saúde pública, principalmente aqueles que gostam de transformar hospitais públicos em cabidões de empregos hão de argumentar: mas o Takimoto é das antigas. Mas esses é que são os bons! Taí Roberto Carlos, há mais de cinquenta anos reinando absoluto. E o que dizer do maior de nossos arquitetos, Oscar Niemayer, com agenda cheia e produzindo uma barbaridade, com mais de cem anos na cacunda? E os que se locupletam, os grandes bandidos da saúde, lamentando-se: ih…, com o Takimoto vai acabar a teta gorda. Gorda e criminosa, não é mesmo irmãozinhos?
Como a saúde tem pressa e talvez não aguente esperar o feriadão, bem possível que quando este texto estiver entrando no ar Dourados já conheça seu novo secretário de Saúde. Será que vem um Dr. Cuequinha (Luiz Machado) por aí? A Doutora prefeita já sinalizou que sim, que pode ser um douradense – e por que não? – depois de indicar um Dr. paraquedista (Bibico Rasslan) para a poderosíssima Secretaria de Governo. Ela está com a faca e o queijo na mão. Basta uma consultinha com “Dr. Jorge”. Vai mexer numa caixa de marimbondos? Vai! Vai morrer gente? Pode até ser, mas que não seja por falta de atendimento nos hospitais públicos! Afinal, voltando ao “dr. Gibóia”, não se faz revolução sem vítimas.
