25/10/2010 – 06:10
Como desde a semana passada estava com viagem marcada para hoje a Campo Grande incluí em meu caderninho de compromissos uma visitinha ao já não mais tão inoxidável Ari Valdecir Artuzi (foto), na tentativa de uma entrevista sobre esses seus dias de tormento atrás das grades. Fiquei mais animado ainda quando soube que meu parente Ramãozinho Pedroso esteve a menos de doze metros da cela em que o prefeito douradense se encontrava, numa das delegacias da Polícia Estadual, com ele batendo um longo papo. Aí veio a história da reiteração de conduta à qual o Tribunal de Justiça se agarrou para mentê-lo trancafiado, e, pior (para ele), em endereço mais seguro, diante de um suposto plano de fuga, com o que minha tentativa de entrevista foi para o beleléu.
Agora de manhã, adentrando à capital morena, ao vislumbrar ao longe o novo endereço do desassossegado Valdecir, fiquei a imaginar seus faniquitos no intramuros do presídio federal, cuja estadia é privilégio só de famosos, como o traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia e sua versão brasileira, o Fernandinho Beira-Mar ou o chefão do crime organizado do Mato Grosso, João Arcanjo. Mas não é por serem considerados celebridades do crime que os detentos deste tipo de xilindró têm vida fácil. O primeiro constrangimento a que são submetidos ao adentram estas muralhas à prova de fuga é terem os cabelos raspados. Imaginem o Valdecir carequinha, que coisa mais fofa. Depois, metem o cidadão numa espécie de pijama, listrado e, pra se ambientar, 30 dias de cela individual e incomunicável. Mordomia, nem pensar! Nem mesmo o Buda, que o Valdecir estava lendo no “hotelzinho” de titio André Puccineli, poderá lhe fazer companhia nesta fase inicial.
A ida do prefeito de Dourados para o presídio federal de Campo Grande pode representar a virada definitiva – e emblemática – daquela que será lida como a mais triste página de nosssa história política. Por coincidência, na mesma semana em que o Tribunal de Justiça determinou que o prefeito afastado ficasse mais bem guardado alguns de seus comparsas voltaram para trás das grades, aumentando os rumores de que novas prisões devem ser efetuadas, inclusive de gente grande e poderosa que circula com desenvoltura pelo Parque dos Poderes, em Campo Grande. Garantem os arapongas de plantão que é só passar o segundo turno da eleição presidencial e os ventos do furacão começam a soprar de novo.
Menos mal, para os comandados do xerife Galoni, que não precisarão rasurar as páginas dos inquéritos que levaram o primeiro lote dos saqueadores dos cofres públicos para a cadeia, em julho do ano passado. Se a Polícia Federal se equivocou ao dar nome à operação – Owari (ponto final, em japonês, e não inicial) – que pretendia, já naquela ocasião, trancafiar Valdecir e seus camaradas, o que só não foi feito, entre outras coisas, possivelmente pelo quê o deputado Ary Rigo acabou por revelar mais tarde, certamente agora, com o chefe da quadrilha cada vez mais enclausurado, poderá, enfim, se colocar o tão desejado e necessário ponto final nos desmandos administrativos e na roubalheira sem precedentes na terra de seu Marcelino.
