Ao volante de um Dodge Charger RT cor abacate (uma joia rara adquirida depois de muita lábia junto ao espólio de Wilson Benedito Carneiro) com Alarico Reis D´Ávila no banco do carona, em viagem de Campo Grande para Dourados, Harrison de Figueiredo viajava nas reminiscências a respeito do trabalhismo brasileiro quando o passageiro do banco de trás cutucou som ombro pedindo que parasse no acostamento. “Bexiga cheia governador?”. Não. Não era nenhum governador do Mato Grosso do Sul. Era o então governador do Rio Grande do Sul e futuro governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, recém-chegado do exílio, num dos primeiros giros de seu périplo como pré-candidato a presidência da República.