16/02/2011 – 21:02
Mordi a língua quando escrevi aqui outro dia que no caso de Murilo Zauith ouvir é ouvir, aceitar ponderações, mas não ter nomes enfiados goela abaixo, uma referência às pressões da companheirada para a indicação de nomes do futuro secretariado municipal. As informações de bastidores são de que o deputado Zé Teixeira impôs o nome do engenheiro Jorge De Lúcia (foto) para a secretaria de obras, sob pena de abandonar o barco.
Tudo bem. “Seu Zé” é um aliado de primeira hora, deputado de vários mandatos e tem intimidade de sobra para este tipo de rompante com o prefeito. Bem provável até que Zauith seja simpático ao nome do filhote da amiga do peito Clay Correa, até porque, nada há que desabone a conduta profissional do engenheiro que, aliás, já ocupou o mesmo cargo durante a administração do prefeito Laerte Tetila. O problema são as ligações dele com o submundo da política douradense e a maneira como as coisas são conduzidas, assim, na base do “dá ou desce”.
A maior a apreensão dos aliados com a indicação de Jorge De Lúcia é pela suspeita de que não tenha apenas Zé Teixeira como padrinho, mas também os irmãos Rocha, que já o haviam indicado a Tetila, via PR (partido de Londres Machado). Isto, diante das evidências de que a Campina Verde, dos Rocha e a “J. Teixeira Cereais”, de familiares do deputado são, na prática, a mesma coisa, ou seja, uma sucedânea da outra, mas apenas na fachada, já que os operadores de mercado continuam os mesmos, no mesmo endereço e tudo mais.
Os irmãos Rocha se notabilizaram pela meteórica ascensão no mundo dos negócios de cereais a partir da primeira metade da década de 90, beneficiando-se do mais lesivo dos regimes fiscais já implantados no MS, o “especial”, cuja elasticidade de prazo para pagamento de tributos facilitava negociatas que fizeram grandes fortunas, não só entre corretores e cerealistas como de agentes corruptos em vários níveis do governo. O negócio era tão lucrativo que a roubalheira, ou o “chucho”, como era conhecida a transação, começou entre corretores e funcionários de terceiro escalão da Secretaria de Fazenda, depois atraindo a participação do primeiro escalão, aí incluídos secretários, governador e até senadores aliados. Até que a Polícia Federal acabou com a farra, prendendo (foto) os chefões da quadrilha em janeiro de 2006.
Quando acabou a mamata do “regime especial” os irmãos Rocha já estavam milionários, ficando tudo como dantes no quartel de Abrantes e, mesmo depois dos dias que passaram no xilindró, continuaram operando, não só na Bolsa, como, decisivamente, no mercado da política. Daí, a preocupação com a nomeação de alguém que lê na cartilha desse tipo de gente, justamente para a secretaria mais endinheirada da prefeitura, no momento em que a cidade tenta se refazer do trauma pelo maior escândalo de corrupção de sua história.
