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quinta-feira, julho 2, 2026

Que tal um secretariado à la Zé Elias?

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16/02/2011 – 11:02

 “José Elias Moreira, esse era um cara que eu queria conhecer!!!! isso sim foi prefeito!!!”. Esta mensagem foi postada hoje de manhã por Graciely Dias, no twitter, o microblog que é a sensação da internet. Fui procurar saber quem é a dita cuja, que aparece lá como Gracihair. Ela tem 28 anos, é douradense, palmeirense (ninguém é perfeito!), sagitariana, formada em estética e cosmetologia, “pó pega, pó morde, pó beijar”. Dá pra imaginar tratar-se de alguém de bem com a vida e antenada na política. Detalhe: quando ela nasceu fazia apenas um ano que Zé Elias (foto) havia deixado a prefeitura de Dourados para se candidatar ao governo do Estado. Ela também se diz fã de Braz Melo.

Se depois de 34 anos Zé Elias ainda é lembrado assim de forma tão carinhosa, “só por ouvi dizer” ou pelo conhecimento que se tem da história é porque ele não se limitou a ser um bom prefeito. O filho do seu Quinzito veio para quebrar paradigmas, arrumando muitas encrencas, é vero, mas para fazer aquilo que Dourados precisava e não o que queriam alguns chefetes políticos.

O primeiro grande desafio foi a montagem de um secretariado altamente qualificado para a guinada que se pretendia dar nos rumos da história. E aí Zé Elias começou a levar bordoadas, pois, em detrimento de alguns companheiros, foi buscar os melhores técnicos entre os que haviam assessorado Pedro Pedrossian no governo de Mato Grosso. Não satisfeito, contratou a assessoria de ninguém mais ninguém menos que Jaime Lerner, já à época o bam bam bam da arquitetura e do urbanismo do Brasil e que despachou para Dourados um de seus assessores, Cássio Taniguchi, depois, a exemplo do chefe, também prefeito de Curitiba.

E foi assim que Dourados conheceu Antonio Medina, o secretário de administração “importado” do Rio de Janeiro, onde atuava junto ao BNH e que fazia conta até das gorjetas de Zé Elias nos memoráveis rega-bofes com t-o-d-a a imprensa, não apenas com um e outro colunista social; Pedro de Souza Carneiro, que montou a estrutura do que se tem até hoje de “Promoção Social” no município, Jofre Brum, o engenheiro que montou a secretaria de obras, o cuiabano Paulo Fortes no Planejamento e até o ex-porta-voz do presidente João Goulart, o jornalista Carlos Alberto Sáfadi, que ensinou o bê-á-bá das relações jabazisticas (como diria Odorico Paraguassu) a Julinho Marques de Almeida depois que o também importado Antonio Carlos (Pastel) Azambuja Dagher e Isaac de Barros não deram conta do recado.

De Dourados, tirante Isaac de Barros, só nomes acima de qualquer suspeita e nos quais Zé Elias confiava cegamente, como Jairo Luiz Quadros, chefe de gabinete (depois Luiz Antonio Gonçalves), o jurídico João Beltran, o financeiro José Roberto Técchio, a educadora Lori Gressler e Leon Tolstói Rodrigues de Lima, que nem mesmo as quebradeiras promovidas durante seus homéricos porres ofuscavam o brilho de sua competência como médico e gestor da saúde pública. O diferencial é que naquela época não havia essa história de sacolinha pra lá e pra cá, de retornos ou de “purfas”.

Moral da história. Em vez de ficar dando trela a Alfredo Barbara e outros baba-ovos o prefeito eleito Murilo Zauith deveria “perder” um tempinho para um dedo de prosa com o mineirinho que sabe tudo, o cara que entende, de verdade, do riscado, quando o assunto é montagem de um secretariado eficiente.

Foi com um bom secretariado e com sua visão de futuro que Zé Elias, fazendo uma administração que marcou época,pulou da prefeitura de Dourados direto para a disputa do Governo do Estado. Se a coisa não deu certo a partir daí são outros quinhentos, o que não impede que douradenses como Gracyele Dias sintam saudades.

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