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Seu Lúdio, o cara!

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22/03/2011 – 17:03

Quando assumi a direção de jornalismo da TV Morena no Estado ele era prefeito de Campo Grande e, dias depois, por intermédio de seu assessor de imprensa, Giovani Favieri, convidou-me para um cafezinho. Quando cheguei ao seu gabinete, ele foi direto ao ponto: “Ouvi dizer que o senhor veio com a missão de criticar minha administração, que até mandou comprar um mundaréu de carros e equipamentos pra filmar todos os buracosda cidade”. Desfeito o fuxico, cuja autoria não demorei descobrir, proseamos um tempão, relembrando sua campanha de governador de quatro anos antes, da qual havia participado, tranquilizando-o quanto ao fato de que como prefeito da capital ele naturalmente era notícia e sempre seria bem-vindo no noticiário da TV de seu Zahran. Assim era Lúdio Coelho, que morreu hoje, aos 88 anos, frustrado pelo fato de todo o dinheiro que possuiu, chegando a ser o homem mais rico do Estado, não ter lhe proporcionado a realização de seu maior sonho, o de ser governador, primeiro de Mato Grosso, depois de Mato Grosso do Sul.

Até hoje, de vez em quando me pego cantando “Lúdio vem aí, é a solução, e já ganhou a eleição!”. Este foi o refrão de seu jingle de campanha na primeira vez que disputou o governo – de Mato Grosso – perdendo para Pedrossian. Lá em casa era uma briga danada. Meu pai petebista, pedrista; minha mãe udenista, ludista. Seu comício de encerramento daquela memorável campanha, em 1965, foi na Marcelino Pires, na Praça Antonio João. Lúdio não subiu em palanque, discursando para uma grande multidão da sacada do predinho do cartório de Marcos Fioravante, onde, embaixo, funcionava a farmácia do correligionário de primeira hora, Arnulpho Fioravante.

Em 1986, já como profissional de marketing, participei da eleição em que ele tentou ser governador pela segunda vez, já de Mato Grosso do Sul. Mais uma vez seu Lúdio não levou sorte, perdendo para Marcelo Miranda. Brincávamos sempre com ele, por seu tradicional hábito da sesta. Nem em campanha deixava de tirar seu cochilo depois do almoço, alegando cansaço por causa da retirada das safenas para uma cirurgia cardíaca.

Políticos dos mais corretos impunha-se pela retidão de sua conduta ética e competência administrativa. Um dos melhores prefeitos de Campo Grande, Senador da República, deixava aos adversários apenas o deleite das galhofas por sua pouca escolaridade, mas falava em inglês com os peões da fazenda que tinha na terra de Tio Sam. Muquirana famoso gostava de fazer pilhéria dele mesmo, para se livrar de aliados políticos pidões, dizendo que estava se descapitalizando e que talvez precisasse vender a última de suas fazendas para pagar contas. Nesta sua última campanha de governador quase saiu no braço com José Elias Moreira, ante a insistência de um aporte a mais de recursos para a campanha de deputado federal, alegando que o combinado não era caro e que a fonte havia secado.

Das muitas piadas a seu respeito, a mais famosa é a do dia em que foi parado numa barreira da PRF, quando estreava uma perua besta. Quando o guarda pede os documentos vem a dúvida: “do carro ou o meu?”. “Da besta, diz o policial!”. Ele passa sua carteira de motorista, ao que agente, constrangido, tenta consertar: “Também os documentos da perua…”. É quando seu Lúdio se vira para a esposa e diz: “É com você Nirda”.

De uma lhaneza impressionante, costumava recepcionar os aliados em grandes banquetes, nas fazendas da família, na região de Nova Alvorada e de Rio Brilhante, onde nasceu, e em sua residência, em Campo Grande, após as campanhas. Ganhando ou perdendo. Seu Lúdio era assim. Teve tropeços na política, até porque não era um profissional dela, mas foi um grande vencedor na vida. Este, sim, foi o cara!

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