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quinta-feira, julho 2, 2026

Alô, alô Realengo, aquele abraço!

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09/04/2011 – 09:04

Foto: UOL

Enterro de uma das vítimas da chacina do Realengo, ontem à tarde.

Alguns entre os milhares de internautas que acessam este blog diariamente talvez ainda não tenham se dado conta de que o foco aqui é análise política e me cobram, de vez em quando, a abordagem de outros temas, como, agora, a tragédia provocada pelo psicopata Wellington Menezes de Oliveira numa escola pública do Rio de Janeiro. Outros se aproveitam da situação para paralelismos que não levam a nada, obrigando-me a ficar aqui deletando comentários e mais comentários com ameaças de que alguém há de se aproveitar da situação para fazer o mesmo em Dourados ou em Campo Grande. Só que em vez de crianças, os alvos seriam vereadores, deputados e demais políticos envolvidos com os últimos escândalos, mais especificamente a Operação Uragano, que desbaratou a quadrilha que assaltava os cofres públicos em Dourados, com ecos sendo ouvidos até agora no Parque dos Poderes, na capital do Estado.

O único traço em comum dessas duas histórias são causas, de efeitos tão dramáticos e catastróficos. No Rio, a morte de onze crianças e adolescentes cujos sonhos foram para o beleléu por causa da insanidade de um ex-colega com herança genética comprometida pela demência. Em Dourados, os sonhos de toda uma geração de jovens políticos indo também por água abaixo, num julgamento pra lá de questionável, como consequência da ação não menos insana de alguém que teve os interesses prejudicados no maior esquema de corrupção já visto na terra de seu Marcelino e que resolveu entregar os comparsas. E a cidade, claro, até hoje, pagando muito caro por isso.

Nestas horas de vidas ceifadas prematuramente e de políticos, culpados ou inocentes, levados de roldão no calor da emoção, resta a análise do comportamento da imprensa, que faz a história. Quanto à catástrofe douradense, a tecla crítica já está gasta. Só a história para julgar. Da tragédia do Rio, só mesmo os olhos de lince de Fátima Bernardes no encerramento do Jornal Nacional da fatídica quinta-feira, sete de março, para inverter o conceito de que uma imagem fala por mil palavras. Diante de tantas imagens da Globo, imbatível neste quesito, a apresentadora encerrou aquela edição com uma informação que era a síntese da causa da tragédia – a de que Wellington Menezes de Oliveira havia estado no local do crime no dia anterior, sentado de frente para a escola Tasso da Silveira, contemplando-a fixamente por alguns minutos. Nestas, ocasiões, de tantas obviedades, tão bom quanto o texto de fechamento da esposa e colega de bancada de JN de Willian Bonner foi a manchete do Diário de Pernambuco: “12 mortos e 190 milhões de feridos”.

Aos internautas que reclamaram da falta do tema aqui, fica a esperança de que, apesar de tudo, como sempre cantou Gilberto Gil, o Rio de Janeiro continua lindo, continua sendo, fevereiro e março. Alô, alô Realengo, aquele abraço! 

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