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Quem sabe faz ao vivo, mas também “afina”

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11/04/2011 – 08:04

Desde que o então todo poderoso José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o “Boni”, cunhou, lá atrás, a frase “quem sabe faz ao vivo”, o apresentador Fausto Silva (foto), que já era um chato de galocha, ficou insuportável. Além de mal-educado, nunca deixando seus entrevistados concluír um pensamento, Faustão, que vive dando broncas “ao vivo” em sua equipe de produção, mostrou, no programa deste domingão que não é tão autêntico como gosta de passar ao seu grande público, e, condizente com seu novo perfil físico, “afinou”, literalmente, quando um “ao vivo” com os policiais “heróis”, uma psiquiatra e o consultor de segurança da Globo enveredou-se pelos maus exemplos da mídia como os que emissora dos Marinho é campeã e que acabam servindo de incentivo a atos de terrorismo como o do fatídico sete de abril passado numa escola pública do Rio de Janeiro.

Quando a psiquiatra tentava explicar sobre os perigos da glamorização de ações assassinas como a que resultou na morte de doze alunos indefesos escola Tasso da Silveira, Faustão foi logo atravessando para citar o exemplo de filmes de violência que podem servir como laboratórios para bandidos como Wellington. Os filmes, pelo menos, têm suas classificações por faixa de idade e recomendações quanto a horários de exibição. Mas é nas novelas, nas quais a Globo tem know-how internacional que a violência é escancarada e de um didatismo sem limites.

O constrangimento foi geral, entre os entrevistados, quando Faustão tentou tapar o sol com a peneira. Pena que seu público não entenda a linguagem cinematográfica já que ali ficou implícito o que nos roteiros “aparece” como subtexto. Ou seja, quando Faustão falou que a culpa poderia ser do cinema, ele certamente estava pensando no maior produto da emissora que paga seu polpudo salário, deixando isso apenas nas entrelinhas, preferindo não correr o risco de jogar contra o patrimônio daquela que é a maior geradora de maus exemplos de como se manusear um trezoitão ou de se planejar uma ação desse tipo. A atual novela das oito, cujo nome deveria ser “Insano” e não “Insensato Coração”, é o maior saco de maldades da TV brasileira nos últimos tempos. Poucas são as cenas em que não se ensine como roubar, trair ou matar alguém.

Faustão também “afinou” e foi mal-educado neste domingão com Ivete Sangalo. Embora sendo ela uma “sócia” do programa, como ele mesmo diz dos artistas que não saem de lá, mandou dizer a ela para “passar a semana que vem”, diante do atraso provocado pelo jatinho da cantora. Mesmo atrasada, o que obrigou uma inversão de quadros do programa, Ivete chegou a tempo de fazer Faustão engolir a bravata. Se apresentou, arrasou e, mais uma vez, salvou a audiência do homem que só faz ao vivo e que, por isso, tem que pagar esses micos.

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