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quinta-feira, julho 2, 2026

Indulgente, pero no mucho

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14/04/2011 – 10:04

“Desmascarar a hipocrisia e a mentira pode ser um dever, porque vale mais que um homem caia do que vários se tornarem enganados ou suas vítimas”.

Meio acabrunhado pelo tanto que tenho fustigado os deputados Marçal Filho e Geraldo Resende fui buscar no Evangelho Segundo o Espiritismo alguma lição que pudesse redirecionar meus escritos. Tomei a decisão depois de uma conversa com um grande amigo que, apesar dos mais esclarecidos, colocou em dúvida algumas informações aqui postadas, como a tentativa de achaque de R$ 2 milhões de Marçal em cima do Valdecir para desistir da disputa da prefeitura em 2012. Também, pela incredulidade de alguns mais ingênuos quanto aos pedidos de propina (os famigerados retornos) de Geraldo Resende, embora tudo conste no processo da Uragano, como informações carimbadas da Polícia Federal, e não do blog. Pensei, vai que eu esteja cometendo alguma injustiça e lá na frente seja obrigado a desembolsar os quinhentos salários mínimos pedidos de retorno ao blog por Geraldo como compensação pelo que ele entende ser pura maledicência.

Encontrei as respostas para minhas inquietações ao reler o capítulo X da Bíblia do espiritismo, onde Alan Kardec trata das bem-aventuranças dos misericordiosos, da reconciliação com os adversários, da indulgência, “este sentimento doce e fraternal que todo homem deve alimentar com seus irmãos”, até chegar à pergunta que quase me faz jogar a toalha: “É permitido repreender os outros, notar as imperfeições de outrem, divulgar o mal de outrem?”. É que quando fala da necessidade de indulgência Kardec diz que “o verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade que consistem em não ver, senão superficialmente, os defeitos de outrem por se interessar em fazer valer o que há neles de bom e virtuoso; porque se o coração humano é um abismo corrupção, existe sempre em algumas de suas dobras mais ocultas o germe de alguns bons sentimentos, centelha vivaz da essência espiritual”.

Mas é o espírito de São Luiz, na sequência, no mesmo Evangelho, quem me encoraja a continuar denunciando as falcatruas, os retornos, as clonagens e os laranjas: “Há casos em que seja útil revelar o mal de outrem?” pergunta Kardec. “Essa é uma questão muito delicada e é aqui que é preciso apelar para a caridade bem compreendida”, diz o espírito justiceiro e moralizador de São Luiz, para asseverar que, dependendo das circunstâncias, “desmascarar a hipocrisia e a mentira pode ser um dever, porque vale mais que um homem caia do que vários se tornarem enganados ou suas vítimas”.

Se o Valdecir caiu só porque foi traído por seu braço direito, que lhe filmou recebendo R$ 10 mil que, segundo ele, eram da venda de um terreno, por que não cair também quem o achacou em R$ 2 milhões ou quem extrapola os limites da corrupção da época do Império, chegando a patamares tão altos cujos valores não podem ser combinados ao telefone muito menos chegar aos ouvidos da imprensa, que deveria ser bem paga para não se insubordinar?

Que me perdoem os espíritos trabalhadores do bem, mas indulgência com esse tipo de gente tem limites.

 

DIREITO DE RESPOSTA CONCEDIDO AO

DEPUTADO FEDERAL GERALDO RESENDE

 

Direito de resposta ao deputado federal Geraldo Resende ao post “Indulgente, pero no mucho” conforme acórdão da 5.ª Turma Cível, ao Agravo – N.º 2011.009302-3/0000-00 – Dourados, proferido em 5 de maio de 2011 e publicado em 10 de maio de 2011.

 

            Neste post, mais uma vez o blogueiro se investe de juiz e carrasco, para atacar minha pessoa, gratuitamente (ou não tão gratuitamente, porque ele deve ter lá seus motivo$…).

         Respondendo pontualmente: o que pedi, na ação que movo por perdas e danos, claro, não foi “retorno” ao blogueiro, porém, reparação ao fato dele me atacar com inverdades, investindo contra minha honra. Como nunca me deu direito de resposta, fui obrigado a recorrer ao poder judiciário para tal.

         Quanto à decisão do blogueiro em recorrer a escritos espíritas para justificar sua empreitada contra minha pessoa, nada mais natural que ele tenha se apegado justamente a algum texto que atendesse a sua ânsia de se julgar o juiz do mundo. A afirmação de que “vale mais que um homem caia do que vários se tornarem enganados ou suas vítimas” é justa, porém o julgamento que venha condenar “esse homem” não é competência do Sr. Valfrido. E mesmo que coubesse, deveria ser dado a essa pessoa o direito da ampla defesa para só depois, se fosse o caso, vir a condenação.

         Ao insinuar que eu tivesse extrapolado “os limites da corrupção da época do império” com os tais retornos, “chegando a patamares tão altos cujos valores não podem ser combinados ao telefone”, o Sr. Valfrido, uma vez mais, utiliza usa a fita métrica do seu próprio caráter, ao julgar que eu possa a ter os mesmos valores morais que ele.

         Quem talvez considere que a imprensa “deveria ser bem paga para não se insubordinar” é o próprio Valfrido Silva, que foi flagrado numa gravação pedindo um veículo Santa Fé para não se “insubordinar” com o então prefeito Ari Artuzi. Isso é de conhecimento público, ao contrário do que afirma blogueiro, pois não há nada que comprove, no processo da Uragano, o envolvimento da minha pessoa achacando quem quer que seja, ou mesmo pedindo propina. Aliás, desafio tanto o Valfrido Silva quanto qualquer pessoa a provar o contrário, mas adianto que será perda de tempo.

         Inserido em 09/06/2011, às 22h15

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