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quinta-feira, julho 2, 2026

Só os novatos para abrir a caixa preta da AL

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28/04/2011 – 09:04

FOTOS/ALMS

Os novatos Alcides Bernal, George Takimoto e Felipe Orro, com os antigos Paulo Duarte e Pedro Kemp ao fundo

A única vez em que este blog foi censurado foi porque ousou denunciar o compadrio da Assembleia Legislativa com o Tribunal de Justiça do Estado. Como agora, com as ondas da tsunami batendo em seus traseiros, mais uma vez os deputados recorrem ao vizinho TJ para tentar se livrar de uma auditoria que pode ter efeitos catastróficos, só os novos deputados, oxalá (alas!) ainda não contaminados por toda a sujeira, é que podem abrir a caixa preta contendo os misteriosos segredos que tanto se tenta jogar para o fundo do lodaçal. Em último caso, que se contrate a equipe aeronáutica francesa que, coincidentemente ontem, depois de quase dois anos, conseguiu encontrar no fundo do mar uma parte da caixa preta do avião da Air France que caiu durante um voo Rio-Paris.

Depois que o juiz Amaury da Silva Kuklinski autorizou a quebra do sigilo da Assembleia a palavra que mais se ouve no Parque dos Poderes é isonomia. Os deputados, que antes não pensaram nisso, querem agora estender a devassa aos Tribunais, ao Ministério Público e ao Governo. Ontem o governador André Puccinelli retrucou. Por ele tudo bem, e já que é pra auditar que se faça a coisa bem feita, disse, recomendando a contratação da Prince Waterhouse, a segunda maior empresa de consultoria do mundo, sediada em Londres.

Seria o caso de dizer, menos, governador. Como o princípio a ser seguido é o da isonomia, que a Assembleia Legislativa se espelhe no que fez a Câmara Municipal de Dourados. Até porque a causa das denúncias que fazem tremer as estruturas do Palácio Guaicurus é a mesma que provocou o maior limpa da história no Palácio Jaguaribe, com nove vereadores indo para o beleléu, os que não foram cassados sendo compelidos a renunciar para evitar a execução sumária, em nome do decoro parlamentar, da ética e da moralidade.

Se pena tão drástica foi aplicada a uns pobres coitados sem direito ou tempo para se defender, só porque foram filmados recebendo uma mixaria de um dedo-duro com delação premiada, que muito bem poderia ser, por exemplo, doação de campanha, como bem justificou em sua defesa o pedetista Aurélio Bonato, o que esperar de punição para deputados que, segundo denúncia de outro cassado, Jr. Teixeira, recebem por fora cerca de R$ 120 mil por mês cada um? Tudo não é uragano?

Como o furacão atingiu a Assembleia em plena virada, ou seja, no período eleitoral em que boa parte dos senhores deputados foi substituída, talvez jamais haja momento tão propício para uma varredura geral. Antes que seja tarde, que o tal do Antonio Russo, por exemplo, todo enrolado com o fisco e com a boiadeirama resolva fazer graça para se dedicar à lida senatorial, já que não tem a legitimidade do voto para tal.

Eles não são maioria, mas precisam dar uma satisfação à sociedade. É o caso dos três da foto principal que ilustra este post, Alcides Bernal, que além do mandato tem um poderoso microfone, George Takimoto, sempre muito competente nos bastidores e agora com mandato, nem se fala, pronto e disposto, decerto, para mexer nessa caixa de marimbondos, o mesmo devendo acontecer com o pedetista Felipe Orro, talvez até pelo traumatismo da ameaçadora subida das águas do Pantanal que podem fazer o Aquidauana desaguar também neste mar de corrupção.

Tão boas ou melhores condições, até, tem também o novato Lauro de Davi, eleito com a credencial de grande gestor da CASSEMS, socialista ligado ao PT, mas com bom trânsito entre expoentes democratas como Murilo Zauith, ou seu colega (com ele na foto) peemedebista Eduardo Rocha, o privilegiado esposo de Simone Tebet que, certamente fará de tudo para respeitar os ideais democráticos do sogrão Ramez Tebet. Da mesma forma o petista Laerte Tetila, com uma oportunidade de ouro, também, para provar que não passou de intriga a tentativa de seu envolvimento com owaris e uraganos e que ele continua firme e forte em seu histórico discurso pela seriedade no trato da coisa pública. De todos, entretanto, a responsabilidade maior é de Márcio Monteiro (à direita), o tucano que terá de provar que não é balela esta conversa de que a prima Marisa Serrano só vai fazer o sacrifício de deixar o Senado da República para assumir uma vaga no Tribunal de Contas por sua enorme determinação de fiscalizar e julgar as contas públicas num momento tão difícil, o que só uma senadora pode fazer.

Resta saber, apenas, até onde vai o poder de persuasão dos antigos, entre os quais, cardeais como Londres Machado e Jerson Domingos, ou até de coronéis, como Zé Teixeira.

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