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Justiça e afetividade

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07/05/2011 – 08:05

ELIANE CANTANHÊDE *

BRASÍLIA – O Brasil foi dormir ontem mais justo, mais humano e mais contemporâneo, depois da votação do Supremo suprindo um lapso da lei e reconhecendo o direito de casais homoafetivos à partilha de bens, pensão e herança.

Se dois homens ou duas mulheres se amam e constroem uma vida e um patrimônio juntos, por que não ter direitos? Não faz sentido.

Tão simples, apesar de tanto frisson, a decisão lembra a aprovação da emenda do senador Nelson Carneiro, em 1977. Dividiu a opinião pública, ensejou tantos debates e, olhando retrospectivamente, fica até engraçado. É como se o divórcio tivesse existido desde sempre.

Havia ministros que consideravam os direitos dos gays muito mais da esfera moral e mais típica de um acordo natural da própria sociedade, com efeitos nas respectivas instâncias, do que passível de uma votação da mais alta corte do país. Mas todos votaram e -uma curiosidade- houve consenso.

O STF passou meses, talvez anos, rachado ao meio, com a turma “lulista” (Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski…) indo para um lado, e os demais (à frente, Gilmar Mendes), para o outro. Mas a votação sobre a união estável homoafetiva é a segunda em que há consenso.

A primeira foi em favor do suplente de deputado da coligação, não do partido. Só Marco Aurélio Mello discordou, mas decisões sólidas não precisam ser unânimes.

Sem querer, portanto, o novato Luiz Fux acabou inaugurando uma nova era. Além de finalmente completo, o Supremo também parece em paz, mais equilibrado, dando mais segurança ao país. Pelo menos até a próxima…

  • Colunista da FOLHA DE S, PAULO

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