16/05/2011 – 03:05
Noite passada fui dormir imaginando a cena do ex-vereador Sidlei Alves, daquele tamanho, contorcendo-se no túnel descoberto pela segurança da Penitenciária Harry Amorim Costa sábado à tarde, por onde certamente haveria uma tentativa de fuga em massa. Não deu outra. Perdi o sono. E, depois de cansar de contar carneirinhos, ex-namoradas e endereços por onde minha mãe (que se parecia uma cigana) morou, resolvei contar votos, lembrando-me do camarada que inspirou o post anterior, o Ferrinho, para quem até cem tudo é muito fácil, sugerindo a quem duvide que tente se lembrar de cem pessoas e imaginar o tamanho da fila.
Mas, peraí, pra quê contar votos? Sim, votos possíveis! Pois é isso mesmo que vocês estão pensando! Não foi assim que o Valdecir passou de motorista do tio, Dioclécio, na Câmara Municipal de Dourados a vereador e daí a fenômeno eleitoral? E tantos outros, que só de ficar ali, acompanhando o dia-a-dia da lida legislativa, seguiram pelo caminho, como Carlinhos Cantor e Marcelão Hall. Tudo bem que deram azar, mas antes de locupletarem-se chegaram lá.
Aliás, nunca esteve tão fácil virar vereador em Dourados. Uma baba, pode-se dizer, não só pelos escândalos que ceifaram tantos mandatos, tantas carreiras promissoras e até alguns com cadeira cativa, como José Carlos Cimatti, mas também pelo aumento do número de vagas na próxima legislatura, podendo chegar a 21. Tudo bem, isso deixa muita gente animada, mas, se antes já existia, de parte de determinados segmentos certo preconceito com a política, imagine agora, depois de todos esses abalos. Sim, porque se antes o camarada para entrar na política tinha de estar preparado para, automaticamente, ser nivelado ao que de pior existe na escória da dita sociedade, agora há mais um perigo – o de virar vereador e depois estar aí como Sidlei Alves e seu colega Jr. Teixeira, na esperança de um túnel cavado por colegas presidiários se não quiserem continuar vendo o sol nascer quadrado.
Ainda pegando como gancho o post anterior e vendo ali, ao lado de Archimedes Ferrinho a figura de um dos mais ilustres vereadores de nossa história, Áureo Garcia Ribeiro, uma espécie de Pedro Simon do Palácio Jaguaribe, resta a nostalgia de que tudo isso já foi muito melhor. Nem é preciso voltar lá na época em que as acaloradas discussões das sessões em que suas excelências compareciam com seus “trezoitões” no cinto só eram interrompidas quando Theodorico Luiz Viegas jogava uma bomba no plenário, mas que ninguém pegava mensalinho ou fraudava empréstimos consignados.
Na virada do século o Jaguaribe já era enriquecido por grandes tribunos, alguns até de notório saber jurídico, como David Rosa Barbosa; Perciliano Cavalheiro, Oswaldo Wolff e Antenor Martins Jr., gente de mãos mais que limpas, passando pelo próprio Renato Lemes Soares, Ramão Moacir da Fonseca, Nery Azambuja e Lori Gressler; Sultan Rasslan e Walter Carneiro que também viraram deputados, sem contar os que antecederam a esses tempos de Owari e Uragno, como os professores Laerte Tetila, Lori Gressler e Wilson Biasotto.
O pior dessa história é que apesar de todos os maus exemplos e de tanta cadeia que já deu e que está para dar, tem gente que não consegue se conter quando o assunto é retorno ou mensalinho. Só porque Ari Artuzi virou vereador e fenômeno transportando doente, hoje a primeira coisa o sujeito pensa quando se candidata ou vira vereador é em comprar uma Kombi, ou um furgão, para carregar gente. Isso é ser vereador. Parei minha contagem antes dos cem possíveis votos. Melhor deixar quieto.
