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quinta-feira, julho 2, 2026

André já pavimenta o caminho para o Senado

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01/06/2011 – 08:06

Foto: Anita Tetslaff

André e os dois principais atores de seu projeto de longo prazo, os prefeitos Nelsinho e Murilo.

Pra mim é tão certo – como dois e dois são quatro, mesmo, e não cinco, como nas contas de Roberto Carlos – que André Puccinelli é candidatíssimo ao Senado em 2014 que nem tive a preocupação de sondá-lo a respeito na longa conversa em seu gabinete, na tarde da última segunda-feira. Com Puccinelli não tem dessas estratégias suicidas de amolecer para o adversário, no caso, Delcídio do Amaral, para depois voltar por cima da carne seca. Tanto que acredita piamente na recuperação do prestígio do prefeito Nelsinho Trad, para elegê-lo seu sucessor, e já anuncia para o mês que vem o reinício das sondagens por meio de pesquisas qualitativas e quantitativas para mapear o Estado com bons candidatos a prefeitos. Ele não é de se arriscar em futurologia, mas é evidente que seu projeto é de longo prazo, não se descartando o retorno (no velho e bom sentido da palavra) para mais um ou dois períodos à frente do Governo. E quem conhece bem Puccinelli sabe que essa história de só cuidar de netos e pedir votos para os companheiros depois do final deste mandato é pura balela e que ele já pensa na marca de uma bengala, das boas, para o caso de precisar voltar a fazer o que mais gosta, que é tocar obras por aí.

O reinício já das rodadas de pesquisas é porque o governador vem percebendo alguns pontinhos amarelos no painel de controle na sala de onde monitora a performance dos atuais prefeitos. Isto porque os reeleitos, naturalmente a ele atrelados pelo reconhecimento da mão estendida do governo do Estado podem ser seus grandes cabos eleitorais nesta nova empreitada. As exceções – e as duas maiores pedras em seu caminho – são justamente as duas principais prefeituras – a da capital e da segunda maior cidade do interior. Em Campo Grande, há problemas para escolha de um nome de consenso e com densidade eleitoral, apesar do grande volume de obras de Nelsinho, maior até que do antecessor, o próprio André. Pior, neste mesmo painel começou a aparecer, em fusão com a bandeira do MST, hasteada bem no centro da Praça Ari Coelho, uma estrela de um vermelho ainda vivo com uma carinha bastante conhecida no centro, de cavanhaque e tudo. Em Dourados, apesar de apostar todas suas fichas na competência de seu ex-vice governador Murilo Zauith André tem problemas sérios na base aliada, embora esteja passado o assanhamento dos dois principais interessados, Marçal Filho e Geraldo Resende, atolados nos escândalos da Uragano. Sobrou Antonio Nogueira, com problemas no coração agravados pelas ameaças do aliado e mui amigo deputado-coronel Zé Teixeira, e Délia Razuk, que se não tem problemas de coração precisa cuidar do coração sempre apaixonado do marido, ex-deputado Roberto Razuk, recém-safenado e ainda esperançoso de que seu clã tenha a oportunidade de passar à história com pelo menos um mandato inteiro à frente da prefeitura.

Caso haja alguma mudança de percurso em Campo Grande, com Zeca do PT voltando para acabar com aquela cisma de 1996, quando para ele perdeu por menos de 500 votos e isso respingue em Nelsinho, André tem um baita plano B em andamento, aí não mais partindo do centro e sim do Leste para o Oeste do Estado para o ataque final às tropas de Delcídio na fronteira com a Bolívia – sua vice-governadora, Simone Tebet, por quem seu coração, parece, xonou xonou, como diz a música da banda Calypso.

Uragano? Mensalão da Assembeia? André, sai pela tangente. Quem pariu Mateus que o embale, diz. Com o governo cada vez mais na mão e disposição para trabalhar e fazer política como nenhum outro teve, o italiano parece ter escapado imune a esta nhaca que se abateu sobre o Estado desde a Uragano. E como diz um assessor, com a diferença de que para ele a reeleição não é a continuidade de um mandato, mas um mandato novo, efetivamente, e, desta forma, com missão cumprida e novas metas e novos desafios, o que produz muito mais adrenalina. Pergunto se ele medo da língua do Valdecir, prefeito que provocou o furacão. “Quem foi que disse primeiro que ele era um animal de pêlo curto?”. Para o governador este é um triste capítulo de nossa história que precisa ser encerrado, faltando apenas saber quantos vão pagar por isso, na cadeia.

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