02/06/2011 – 22:06
Com Lula tentando, mas não conseguindo, desencarnar do Planalto, tanto que depois de sua volta a Brasília para defender Antonio Palocci acaba de meter a cara no programa nacional de televisão PMDB para um proselitismo pra lá de chocho aos órfãos do doutor Ulysses Guimarães, cujo desencarne, este sim, é uma incógnita, lá vou eu também burlando o mais elementar princípio do kardecismo, já que meus personagens, corporeamente falando, estão vivinhos da silva, elucubrando (e torcendo para) que o prefeito Murilo Zauith seja a reencarnação de dois ícones da política da terra de seu Marcelino – João Totó Câmara (foto) como o maior de seus líderes políticos e José Elias Moreira como o mais competente de seus administradores.
Outro dia escrevi aqui que Murilo Zauith veio para quebrar paradigmas, pelo quê fui taxado de puxa-saquismo por uma minoria que não entendeu a profundidade do texto. Quando escrevo quebrar paradigmas é pela baita responsabilidade de rever uma sequência de equívocos vindos desde a era Humberto Teixeira, passando pelo segundo mandato de Braz Melo, pelos oito anos das facções petistas à frente o camarada Laerte Tetila, para a culminância de barbaridades que foi o (des) governo do furacão Valdecir.
Naqueles tempos em que “retorno” era apenas um indicativo do fluxo de trânsito, principalmente nas rodovias, cujos recapeamentos, agora, deram a esta palavra outros sentidos, Totó Câmara era o prefeito que ia de fusquinha a Brasília pleitear recursos para as pontes e os travessões da Colônia Federal, mas nem por isso deixava de se impor como o grande líder regional. E como Totó consolidou esta liderança? Primeiro, afugentando Pedro Pedrossian, dizendo que na política da Grande Dourados quem mandava era ele, quando o governador tentou lhe enfiar goela abaixo o nome do radialista e deputado Massao Tadano como candidato a prefeito; depois, já como deputado federal, enfrentando de peito aberto, literalmente, a polícia udenista que tentava impedir um comício no qual preparava seu retorno, ops! sua recandidatura à prefeitura. É antológica a cena do filho de dona Rosa abrindo a camisa e avançando sobre os policiais, desafiando-os a atirar no deputado federal filho da terra.
José Elias Moreira, o substituto de Totó, também quebrou paradigmas para o seu tempo. Mesmo antes de assumir a prefeitura já tinha uma enorme folha de serviços prestados à região, não só como pioneiro no gerenciamento de projetos de assentamento rural do INCRA, mas também na implantação dos conjuntos habitacionais que moldaram o crescimento urbanístico de Dourados. Como prefeito, Zé Elias modernizou e descentralizou a administração, criando as primeiras secretarias, implantando programas de saneamento básico, reurbanização e habitação, além de prosseguir a pavimentação asfáltica iniciada por Totó Câmara.
Como engenheiro civil recém-chegado Murilo Zauith não chegou a conhecer o jeito totozista de governar, mas acompanhou de perto a administração de Zé Elias, até participando dela. Em sua primeira tentativa de virar prefeito, tentou dar peso à sua chapa, convidando Totó como seu vice. Foi um erro de cálculo. O tempo do “português” havia passado.
Agora, passado o deslumbre da transformação em realidade do sonho de ser prefeito, basta que Zauith tire as melhores lições da história, conciliando a vocação de grande líder de Totó Câmara com a excitação administrativa de Zé Elias. Se Lula, que era para estar “desencarnado”, insiste em assombrar o governo de sua preposta Dilma Rousseff, por que não o reencarne duplo de dois espíritos trabalhadores do bem, mesmo que ainda no invólucro material, nesta outra carcaça tão cheia de boas intenções com Dourados?
Que assim seja!
