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quinta-feira, julho 2, 2026

Será que o TC dá mais retorno que o Senado?

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10/06/2011 – 04:06

Noite passada, na tentativa de repouso da carcaça corpórea, fui ter em espírito com meu amigo Harrison de Figueiredo. Fazia tempo que a gente não proseava, mesmo assim, das últimas vezes, ainda inconformado com a condição de desencarnado, ele insistindo nas intermináveis “saideiras” e insaciável para saber detalhes da Owari e Uragano – as operações da Polícia Federal que levaram tanta gente do seu PDT para a cadeia. Desta vez estava mais encabulado com as moagens que podem fazer Marisa Serrano (foto) abrir mão do Senado, seu grande sonho enquanto aqui esteve, em troca de um emprego no Tribunal de Contas do Estado.

Harrison aproveitou a deixa para terminar uma história que começou a me contar ainda durante seus últimos dias agonia terrena e só interrompida porque o maior envolvido nela, seu cunhado, mas acima de tudo amigo de fé e irmão camarada, João Totó Câmara, não arredava pé de seu leito terminal. Disse-me que não partiria desta para melhor sem que Totó lhe explicasse tim-tim por tim-tim a verdadeira origem dos dólares roubados em seu apartamento em Campo Grande. Só depois de convencido de que toda aquela dinheirama era fruto do acúmulo de economias feitas ao longo dos dois mandatos de prefeito, outros dois de deputado federal e, mais substancialmente, das vantagens das muitas mordomias proporcionadas pelo mesmo Tribunal, mas tudo dentro da legalidade, é que ele sossegou o facho.

Embora com uma visão privilegiada, lá e de cima, mas ainda sem entender os tantos enigmas entre o céu e a terra, estava inconformado. Citou o exemplo da colega de Marisa Serrano, a bonitinha Gleisi Hoffmann, que acaba de deixar Senado, mas para assumir o segundo posto da República. “Vá lá” disse Jibóia, “mas deixar de ser senadora pra ir aí fazer parte desse compadrio que é a relação do Tribunal de Contas com os outros Poderes, principalmente a Assembleia, aí não cola”. E, irreverente, como sempre, dando-me um daqueles tapões na testa, como fazia sempre que passava da conta nas tais saideiras e já caindo numa daquelas belas gargalhadas, fulminou: “Tai, você matou a charada, esse negócio de Tribunal só pode estar dando muito retorno também!”.

Quando comecei a entrar na matemática do sempre bem informado Archimedes Ferrinho Lemes Soares dando conta dos milhões de motivos que estariam levando o boiadeiro dos frigoríficos quebrados e sem votos Antonio Russo a herdar a cadeira de Marisa Serrano e, mais, das também milhões de razões dos deputados a ponto soltar ladeira abaixo o colega Antonio Carlos Arroyo para abraçar a causa da senadora tucana fui acordado por meu caçula, o Felipe, assaltando a geladeira. Só sei que tinha o número 13 na parada. Será coisa para agradar a fada madrinha, só porque ela é do PT? Uma matemática meio absurda, tipo assim: oito para ser dividido até por 24 mais cinco, uma espécie de caução. Ou calção, que lembra aposentadoria, sei lá. Como sonho é uma coisa meio esquisita, o negócio é ficar de olhos bem abertos daqui pra terça ou quarta feira. Enquanto isso, não custa arriscar uma milhar com esses números aí pra vê que bicho dá.

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