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quinta-feira, julho 2, 2026

Um brinde ao presidente Charles de Gaulle

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18/06/2011 – 10:06

 Foto/Google

A “inútil” Marisa Serrano e o “arrojadérrimo” Antonio Russo.

Tinha várias opções de escala para chegar até Viena, na Áustria, mês que vem, onde vou ficar uns dias em companhia de minha filha Ana Carolina e de meu genro Christoph, mas preferi não só ir por Paris como, na volta, ficar uns dias na cidade que além de tantos encantos deu ao presidente Charles de Gaulle inspiração para criar a frase que melhor retrata o País do agora Império Petista – “O Brasil não é um País sério” -, cujo Senado dá guarida a figuras como Antonio Russo, um quebrado dono de frigorífico paulista que além do milionário calote nos pecuaristas do Mato Grosso do Sul, o Estado que possibilitou esta sua inédita façanha política ainda tem uma dívida astronômica com bancos oficiais.

Veja o descalabro a que chegou a política do Mato Grosso do Sul e se não seria o caso de entrar em cena o Xerife Galloni, por exemplo, ou juiz Federal Odilon de Oliveira, famosos pelo destemor em colocar bandidos do colarinho branco na cadeia, considerando-se a manchete da página 03 do jornal Correio do Estado desta sexta-feira: “Ida de Russo ao Senado pode valer R$ 650 milhões ao MS”.

Trocando em miúdos: se Marisa Serrano continuasse senadora o Mato Grosso do Sul perderia essa esta grana toda, só porque seu partido, o PSDB, faz oposição ao governo petista. Tudo bem que a tucana ficou famosa por só tomar cafezinho no Senado e nas cidades que visitava de vez em quando, mas daí a tachá-la de tão inútil assim é um desrespeito com a biografia de quem conseguiu ser secretária de Estado, se eleger deputada federal e senadora.

O intrigante deste que é um dos capítulos mais deprimentes e nebulosos da história política do Mato Grosso Sul é o controverso da dinâmica empreendedora envolvendo o tal do Russo. O mesmo empresário que quebra frigoríficos, que deixa a ver navios pecuaristas e bancos, como o BNDES, num passe de mágica se transforma no Salvador da Pátria.

Mais intrigante ainda, numa coincidência pra lá de preocupante, são os números atribuídos à performance do “nosso” senador que ainda nem tomou posse: R$ 650 milhões que seriam liberados de imediato pelo governo da presidente Dilma Rousseff ao Mato Grosso do Sul, a maioria grana para a implantação de novas rodovias. Justificativa: a filiação de Russo ao PR, partido de Londres Machado e do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Quer dizer, às favas o interesse público. O importante é ter mais um parlamentar que se comporte “bovinamente”, como diz o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), desses que vão para o brete da história desde que para atender aos interesses do governo, não os da nação.

Que algum promotor mais ousado, o xerife Galloni, ou o mesmo juiz Odilon de Oliveira atentem para os detalhes da matemática: Com base nos cálculos “republicanos” dos famigerados retornos, subtraindo-se dez por cento de R$ 650 milhões e já dá para pagar os R$ 50 milhões do calote que Antonio Russo deu nos pecuaristas e ainda sobram R$ 15 milhões, mais ou menos o mesmo número de razões que a Assembleia Legislativa teria tido para aprovar o nome de Marisa Serrano para a Corte que, veja só, tem como uma de suas obrigações fiscalizar para que não haja essa farra toda com o dinheiro público.

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