21/06/2011 – 11:06
Em 1982, na flor de seus 65 anos, quando saiu candidato a governador, o então ex-prefeito de Campo Grande e ex-deputado federal Wilson Barbosa Martins (foto) já era considerado “velho” por seus adversários, principalmente os seguidores de Pedro Pedrossian, que tinham em José Elias Moreira o grande trunfo para tentar evitar o efeito fênix, já que Wilson, embora com raízes na mesma UDN de Zé Elias, havia sido cassado pelo regime militar bancado pela “marvada” sigla que tinha interesse na manutenção do pedrossianismo no Estado recém-criado pelos milicos.
Muito bem. O discurso do “velho” não colou. Wilson passou à história como o primeiro governador eleito do Mato Grosso do Sul, fazendo deputado federal o irmão, Plínio, este, sim, para muitos, o candidato ideal, pelo fato de que acabara de ter uma eleição ao Senado “roubada”. O resto da história todo mundo sabe. Antes de terminar o governo o “velho” desincompatibilizou-se, para disputar o Senado. Mas a coisa não para por aí. Depois de oito anos em Brasília ele resolveu atender aos apelos de “bis” da companheirada, elegendo-se, em 1994, para, aí, sim “encerrar” a carreira, como governador. E, isto tudo, com força o suficiente para vencer até os efeitos das macumbas que andaram fazendo litoral brasileiro afora para que desencarnasse.
Detalhe: Em 1986, quando deixou o governo para disputar o Senado, abrindo caminho para a ascenção de seu vice, Ramez Tebet, milagrosamente recém-saído de um câncer dos mais malígnos, Wilson, por capricho, ainda fez questão de fazer o sucessor, também no voto, Marcelo Miranda Soares.
Quando coloco aspas no “encerrar” a carreira em 1994, é apenas porque aquele foi o ano de sua última eleição, pois foi durante aquele último governo, de janeiro de 1995 a janeiro de 1999, que Wilson plantou e foi adubando, sem pressa, em solo campo-grandense, uma promissora mudinha política que chamou sua atenção nas andanças pelo interior do Estado e pelos bons frutos que começava a dar. Quer dizer, além de todo esse apetite para fazer sua própria política ainda deixou um herdeiro do porte de André Puccinelli.
É que nos tempos de doutor Wilson Senador da República não negociava o mandato, não vendia a famosa cadeira de couro azul, para se acomodar noutra, não tão confortável, mas vitalícia, como, por exemplo, as do Tribunal de Contas do Estado. Até porque, se tinha uma coisa que este rio-brilhantense da mais boa cepa que hoje completa 94 anos não tinha medo era de urna.
