24/06/2011 – 12:06
Foto: Anita Tetslaff
Um blogueiro enxerido para o “trenzinho” do Valdecir para avisar que ali, em seu Jaguapiru, a Perimetral já “existia”.
Preterido por Braz Melo na disputa da prefeitura em 1992 o então deputado Valdenir Machado encerrou a campanha de Humberto Teixeira, por ele coordenada, com uma grande manifestação de protesto pelo sumiço da grana da “Perimetral Norte” – o contorno rodoviário cujo traçado inicial previa o desvio do trânsito pesado do centro da cidade por uma nova pista entre o Jaguapiru e o Jardim Europa. Dezessete anos depois, em agosto de 2009, quando uma caminhonete com André Puccinelli,Valdecir e Cia. empoleirados na carroceria parou bem na entrada da chácara de meu avô Aparício Machado (onde nasci) na busca de um novo traçado para a tão decantada obra, cochichei para o governador que para todos os efeitos ali já existia a rodovia, já que o dinheiro havia sido liberado, as obras até se iniciaram, mas depois tudo caindo no esquecimento, não fazendo sentido começar tudo de novo. Não sei se por isso, mas o que importa é que, enfim, a nova Perimetral está quase pronta, faltando exatamente este trecho, agora passando por trás do meu Jaguapiru, daí, já tudo pronto, cortando o Laranja Doce próximo à sua nascente, contornando o Hospital Universitário até chegar ao trevo de Laguna Caarapã, na BR-463.
Mas foi preciso o ócio deste feriadão de Corpus Christi, quase dois anos depois, com o enigmático silêncio da saracura ante o prenúncio de mudanças de tempo deste recém-chegado inverno, para me tocar quanto à coerência do então prefeito Braz Melo, em cuja administração a Perimetral começaria a sair do papel, pois que era dele o mais inflamado dos discursos contra o “isolamento” de Dourados pelos chefões da política estadual. Isolamento físico, geográfico, bem entendido.
Tudo começou com a ligação das BR-163 e 463, quando foi implantado o contorno Sul, desobrigando os ponta-poranenses a entrarem na cidade antes de seguirem para Campo Grande (hoje eles podem até torcer o nariz, mas veem ao longe Dourados cada vez mais se aproximando deste mesmo contorno e também crescendo na vertical). Depois veio o asfalto ligando Rio Brilhante a Maracaju e, na sequência, Douradina-Itaporã, sendo mais tarde também a cidade “Pedra Bonita” ligada por asfalto a Maracaju e daí à capital. Tudo isso deixava Braz Melo e outras lideranças enlouquecidas. “Isso é coisa de gente que não gosta de Dourados, que quer nos isolar do resto do Estado”. Este era o discurso. Braz já havia saído de cena quando ligaram Ponta Porã com Campo Grande via Vista Alegre. “Aí é pra acabar”, discursaria ele se ainda estivesse vivo para a política.
Agora vem André Puccinelli e torna realidade o sonho da Perimetral Norte. E, com isso, adios cafezinho na CB do Takeo para os itaporanenses que se dirigiam a Fátima do Sul ou a Caarapó. Não duvidem, aliás, se daqui uns dias, aqueles mesmos “líderes” comerciantes que ficavam com uma prancheta e uma câmera fotográfica na saída para Ponta Porã na pueril e vã tentativa de afugentar os “contrabandistas” douradenses não se abanquem ali mesmo próximo ao Jaguapiru para protestar, agora, contra os caminhoneiros por não mais prestigiarem as borracharias do centro de Dourados.
Enquanto algumas lideranças continuarem pensando assim Dourados continuará, aí, sim, no completo isolamento.
