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quinta-feira, julho 2, 2026

Farra dos retornos tira Presidenta do sério

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03/07/2011 – 09:07

Marçal Filho e Dilma: “Sorria, meu bem”, deve estar pensando a presidenta.

A presidente Dilma Rousseff estragou o fim de semana da turma dos retornos. E, pelo jeito, se não vai acabar – o que seria bom demais! – com a roubalheira num dos mais visados órgãos públicos federais, pelo menos vai tentar dar um chega-pra-lá nesses desavergonhados. Pra começar, pôs pra correr a turma do Dnit, o chefe Antonio Pagot, inclusive, homem de confiança do agora senador Blairo Magi. Interessante é que, acostumados com Lula da Silva, permissivo até demais com a bandidagem, os caras continuavam nadando de braçada, achando que a mineirinha que se especializou em política nos pampas fosse se acomodar nos gabinetes por causa do ar rarefeito de Brasília.

Segundo reportagem de Luciana Marques, em VEJA deste fim de semana, a turma do PR, o tal Partido “da República”, que comanda o Dnit e que no Mato Grosso do Sul tem entre seus expoentes o mandarim estadual Londres Machado, o federal Edson Girotto e agora o senador caloteiro e sem votos Antonio Russo, cobra 4% de propina (ou retorno) das empresas prestadoras de serviços, isto, só para que tenham acesso às pastas que dão direito à participação nas manjadas e dirigidíssimas licitações, principalmente para implantação de rodovias. Imagine o que retorna para a gangue quando começa a tão esperada “medição” das obras – a época das vacas gordas, principalmente para esses parlamentares que nada mais fazem a não ser emendar o Orçamento da União.

Nem é preciso ir muito longe para perceber que há algo de errado com as obras do Dnit. Aliás, o que não falta é denúncia, inclusive envolvendo as muitas que cortam o MS, como, por exemplo, o recapeamento “nas coxas” entre Batuaguassu e Nova Alvorada, obra com verba de emenda dele – o “retorneiro” mais famoso, Geraldo Resende. E o recapeamento da 163, entre Campo Grande e Dourados, que não acaba nunca? Agora, a desculpa é a construção, mais uma vez, de uma terceira pista. Aliás, esse negócio de terceira pista é um blefe danado. Fonte inesgotável de retorno, pelo jeito. É o caso também da 463, entre Dourados e Ponta Porã, com recursos do “retorneiro” confesso Marçal Filho. Fizeram uma tirinha de asfalto em alguns trechos da pista, mas lá para titia Dilma deve ter chegado a informação de que é uma baita terceira pista. Pelo jeito, até nas “guaritas” de proteção da PRF está havendo retorno, pois é um tal de derruba-e-constrói de novo também sem fim, já há algum tempo.

Segundo VEJA, com planilhas e documentos sobre a mesa, Dilma elevou o tom no encontro com representantes do Ministério dos Transportes, que, para ela perdeu o controle da situação. Interessante é que o ministro, o republicano Alfredo Nascimento, rechaçou qualquer ilação ou relato de que tenha autorizado, endossado ou sido conivente com a prática de quaisquer ato político-partidário envolvendo ações e projetos do Ministério dos Transportes. É sempre assim.

O que é preciso agora é o Congresso Nacional também elevar o tom de voz com essa gente, pois é mais ou menos isso, ou seja, que não sabem de nada, que vão falar os deputados federais, no caso de uma CPI que já estão prometendo instalar para investigar mais este escândalo.

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