12/07/2011 – 17:07
A farra da turma dos retornos em Brasília chegou a tal ponto, e a dinheirama surrupiada dos cofres públicos era tanta, segundo a revista VEJA desta semana, que chegou um momento em que começaram a ter problemas de administração. “A gente não sabia mais a quem pagar”, contou à revista um empreiteiro. “Ligava deputado, senador e funcionário cobrando a mesma coisa”, disse o dito cujo. Ou seja, era todo mundo atrás da tão esperada pacoteira, aquilo que, como o leitor do blog deve estar lembrado, no (des) governo Valdecir, em Dourados, convencionou-se chamar de sacolinha.
O diretor do Dnit, o “cuiabano” Luiz Antonio Pagot, braço direito do agora senador Blairo Maggi em seu conglomerado de empresas do agronegócio e que depôs hoje no Senado dando pinta de que não quer largar o osso – “estou em estado de férias” – recebia “entregas” em seu hotel. “O quarto era uma bagunça. Ele marcava uma reunião lá, a gente chegava, falava sobre a obra, deixava o envelope com o ‘acerto’ em cima da mesa e ia embora como se nada tivesse acontecido”, conta o lobista de outra empresa. Detalhe: o ministro demitido Alfredo Nascimento se hospedava no mesmo hotel. Um assessor dele, Mauro Barbosa, recebia o “acerto” no próprio gabinete, no Ministério.
Ainda segundo a reportagem de VEJA “o combinado era o pagamento ser feito até dez dias depois da liberação das faturas. Uma assessora ligava para marcar a audiência. A gente colocava o dinheiro em um envelope e deixava sobre a mesa de trabalho dele”, diz outro beneficiado com o esquema.
A partir de maio, diante da reclamação de empreiteiros e da suspeita da cúpula do PR de que a propina -, ops, o retorno! – não estava chegando integralmente aos cofres do partido, Alfredo Nascimento e Valdemar Costa Neto, respectivamente presidente e presidente de honra do PR, decidiram criar um caixa único e nomear um arrecadador central. Até porque, Nascimento, ao se deparar com os números superfaturados de uma a das muitas obras tocadas por seu ministério, foi curto e grosso: isso dá cadeia.
O texto de VEJA não é uma obra de ficção. Portanto, qualquer semelhança com as práticas “retorneiras” dos representantes de Dourados no Congresso Nacional citados no inquérito da Uragano pode não se tratar de mera coincidência. Talvez por isso e, ainda, de acordo com o mesmo texto, na parte em que VEJA lembra que “no mundo da corrupção poder e prosperidade financeira são siameses” é que não satisfeitos em surfar sobre ondas de praias paradisíacas como, por exemplo, a de Jericoacoara, no Ceará, alguns retorneiros estão se lançando ao que parecia impossível para as leis da natureza, ou seja, morar “Sobre as Ondas” (um edifício só pra tubarão, onde durante muitos anos funcionou, em ondas médias, a Rádio Clube de Dourados).
