18.5 C
Dourados
quinta-feira, julho 2, 2026

Saudades da saracura

- Publicidade -

22/07/2011 – 08:07

 Foto: Anita Tetslaff

Um blogueiro capiau no Parlamento da Áustria: aqui, retorno não é o que vocês estão pensando!

Nem bem iniciei meu tour europeu e já bateu uma saudade danada da saracura. Tudo bem que com a internet a gente não se desliga totalmente do torrão natal, mas coisa boa mesmo, aquelas “exclusivas” para o blog, só sob inspiração deste bichinho arisco e barulhento uma barbaridade aí da beira do meu Laranja Doce. Não fui ainda dar banho na minhoca ali no Danúbio, apenas contemplando o quanto é deslumbrante lá de cima, pela janelinha do avião, mesmo depois de Chico Buarque ter cortado o meu barato, em seus escritos sobre Budapeste, dizendo que de azul ele não tem nada. Achei que nos jardins da praça em frente a biblioteca nacional e palácio do governo da Áustria, onde Adolf Hitler costumava fazer seus discursos, pudesse ouvir pelo menos algum pio parecido. Que nada! Depois do primeiro chope com linguiça, no centro de Viena (programa obrigatório para turistas com o meu perfil), não por coincidência, som, apenas o de um concerto de um tal de Mozart, numa catedral de estilo barroco ali ao lado.

A sensação do contato com a civilização a gente tem já no embarque, no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos-SP. As boas-vindas da equipe de bordo da Air France é uma dedetização ampla, geral e irrestrita no avião, para tirar a aca dos brasileiros. Isto mesmo. Dedetização, sob a alegação de normas internacionais de vôo, com o aviso de que o produto não é tóxico. Cá com meus botões, desconfio que excesso de precaução seja pelo tanto de parlamentares brasileiros que costumam embarcar nessas aeronaves, inclusive, nos últimos tempos, dois muito conhecidos, aí de Dourados, envolvidos nos esquemas dos famigerados “retornos”. Deu uma vontade danada de sugerir aos comissários que identificassem esses ditos cujos, para livrar os demais passageiros do constrangimento, submetendo apenas eles, não a uma dedetização, mas, quem sabe, a uma mais apropriada desratização.

Vendo minha emoção diante da exuberância de Palas Atena, na fonte em frente ao Parlamento da Áustria, uma imagem muito familiar pra mim, pois é a mesma da capa do álbum de fotografias preferido de minha mãe, e com a Anita boquiaberta com tantas obras de arte, tudo ali, uma ao lado da outra, eis que meu genro tenta resumir a razão de tanta beleza: aqui dá gosto pagar tudo isso que vocês tanto criticam de imposto, porque a gente vê o retorno por onde anda. Falei: para, para, para! Ele ficou sem entender, não pela tradução de minha filha, que já domina bem o alemão, mas, obviamente, por minha reação diante da palavra maldita, estranhando o fato dela não fazer parte da relação de palavrões que aprendeu durante suas duas idas ao Brasil.

Mas é claro que não vai ser por falta de saracura que vou deixar de escrever nestas “férias”. Mesmo sob os protestos de minha filha Ana Carolina, vou continuar de “zóio” nas picuinhas da terra de seu Marcelino, apenas contando com a colaboração dos milhares de leitores, principalmente dos que me ajudam a fazer o blog, com seus comentários, cuja liberação pode atrasar um pouco, pelas óbvias dificuldades de um internauta de, literalmente, primeira viagem.

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas Notícias

Últimas Notícias

- Publicidade-