22/08/2011 – 09:08
Até pensei em abrir o post anterior com este assunto, mas por considerá-lo pra lá de prosaico resolvi mostrar “minha Paris brasileira” pelo mesmo ângulo de nossa anfitriã na capital francesa, a jornalista brasileira Mazé Torquato Chotil, até para não causar constrangimento a monsieur Nicolas Sarkozy. Acontece que ao aqui chegar, folheando jornais e revistas impressos para a retomada do batente, num esforço danado para evitar o já batido tema dos retornos, eis que me deparo com o papelão de um francês, o ator Gérard Depardieu, “tirando água do joelho” no corredor do avião durante a decolagem de um voo de Paris para Dublin. Até que tive vontade de fazer o mesmo, não na decolagem do meu Air France no retorno ao Brasil (o que cairia bem como protesto por eles não terem dedetizado os passageiros como fizeram antes da decolagem no aeroporto de São Paulo, na viagem de ida), mas na Gare Du Nord, a maior estação de metrô da Europa, em Paris, por onde passam 180 milhões de passageiros por ano. É que ao ali desembarcar do trem que nos trouxe do aeroporto Charles de Gaulle não encontrei um banheiro sequer para me aliviar das saideiras que havia tomado na noite anterior na capital austríaca. Só depois de perambular, apressado e mais que apertado, pelos dois pisos da enorme estação e de atravessar uma avenida foi que pude me aliviar, num restaurante chinês.
Já em São Paulo, a primeira manchete que me chama a atenção, numa banca do aeroporto de Cumbica, é a da queda do ministro da agricultura, aquele que por aqui andou dia desses todo paparicado pela turma dos retornos, o tal do Vagner Rossi, que caiu, entre outras coisas, por pedir retorno de cerca de dois milhões de reais para direcionar uma concorrência pública. E, na televisão, Dilma Rousseff fazendo pilhéria, como que a tripudiar em cima da companheirada do PMDB e do PR, dizendo que está promovendo uma faxina, sim, mas faxina na miséria que ainda atinge boa parte da população brasileira.
Desembarcado em Campo Grande, rumo direto para Dourados via Sidrolândia, para evitar as infindáveis paradas da 163, cujas reformas foram sintomaticamente aceleradas depois da devassa no Dnit. E, constatando a assertiva do discurso da presidente, reencontro a paisagem já familiar aos olhos dos brasileiros, mas só agora notada pela frustração de quem teve o privilégio de percorrer tantos celeiros de farturas europeus, com melhor oportunidade de reflexão sobre essa desgraça que perpassa governos ditos populares, como o do companheiro Lula da Silva, que usa essa gente como massa de manobra para fins eleitorais.
Depois de me emocionar em Viena assistindo a um concerto na casa de Mozart, com a orquestra de Mozart, o Danúbio Azul e a Sinfonia número 40 foram dando lugar a uma musiquinha composta por Armando da Silva Carmello falando de um passado que vai longe com glória, da terra de seu Marcelino, e da esperança com seu nome despontando na história, num futuro confiante como lindo oásis do Brasil. Tadinho de seu Carmello. O bom velhinho que tocava a vida humildemente compondo versos nas horas de folga do batente atrás do balcão de sua livraria, na antiga rua Bahia, deve estar agora atrás do espevitado Mozart para tentar entender o que aconteceu e o porquê de tantas diferenças. É que enquanto a Áustria tenta se apartar da comunidade européia, com o discurso do dinheiro dos austríacos apenas para os austríacos, os douradenses ainda trafegam pelo asfalto esburacado dos tempos de Totó Câmara e de Zé Elias. Pior. Como nos tempos de Zé Elias, também, ainda se adota a prática de cooptar vereadores para a base aliada com passeios pelos corrompidos corredores do Congresso Nacional e pela Esplanada dos Ministérios em Brasília. Mas, enfim, o retorno era inevitável!
