10/09/2011 – 09:09
A declaração de Zeca do PT no Correio do Estado de hoje, de que está de saco cheio do partido cujo nome adotou, informando que não vai participar coisíssima nenhuma de reunião “de faz de contas” – uma tentativa da companheirada de fazer a reconciliação entre ele e Delcídio do Amaral – é um balde de água fria nas pretensões do senador, por quem ele se considera traído. Ao jogar a toalha da política, dizendo que vai cuidar da vida, Zeca deixa o prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (foto), praticamente com a mão na taça de 2014, acabando de uma vez por todas com o decantado favoritismo de Delcídio.
Até aqui, como ser eminentemente político, o ex-governador vinha alimentando os sonhos do senador corumbaense e seguidores quanto à retomada do Parque dos Poderes pelos petistas e até deu trela às moagens dando conta do que seria uma esdrúxula chapa encabeça por Amaral com ele de vice, para concorrer à prefeitura de Campo Grande ano que vem. Mas, confortavelmente instalado em seu pesqueiro, no Aquidauana, ao lado de madame Gilda e da parentalha, deve ter-lhe caído a ficha do quão trabalhoso seria isso tudo e, mais, um esforço por alguém que não merece ter uma palha movida a seu favor.
Quando diz que “não tem mais a ver comigo; não tenho mandato e nem quero mais ter”, mirando nos investimentos da iniciativa privada “para sobreviver”, Zeca do PT certamente olhou para a história do Mato Grosso do Sul e concluiu que a missão de Delcídio, se já era difícil com seu apoio, torna-se impossível com ele “fora”.
A “desmotivação” do ex-governador vem da história e nem é preciso ser guru ou entender de tendência ou de pesquisa eleitoral. Basta uma retrospectiva dos que se elegeram governador e por onde eles passaram antes. O primeiro eleito, em 1982, Wilson Barbosa Martins, prefeito de Campo Grande. Depois dele, Marcelo Miranda Soares, eleito em 1986, prefeito de Campo Grande. De seu sucessor, Pedro Pedrossian, sempre se disse que como governador de Mato Grosso, antes da divisão, fora o maior prefeito que Campo Grande já havia tido em sua história. Pedrossian foi sucedido, por Wilson Barbosa, que passou o bastão ao próprio Zeca, que, não foi prefeito de Campo Grande, mas disputou com André Puccinelli aquela que até hoje é a mais questionada de todas as eleições da capital, perdendo por apenas 411 votos. Zeca é sucedido por André Puccinelli, também duas vezes prefeito de Campo Grande e que deixou quem em seu lugar, já sendo, também, duas vezes prefeito?
Antes que algum gaiato mal informado me cobre por “esquecer” Harry Amorim e Ramez Tebet, o primeiro foi nomeado, assim como Marcelo Miranda e Pedro Pedrossian naqueles primeiros tumultuados anos de instalação do Estado e o segundo cumpriu mandato tampão, como vice de Wilson Martins.
Claro que a passagem pura e simples pela prefeitura de Campo Grande não é garantia para ser governador do Estado, tanto que Levy Dias e Lúdio Coelho quebraram a cara. Mas que é uma baita credencial, não se discute, ainda mais quando o camarada tem um pai (Nelson) que é um ícone da política estadual, um irmão (Marquinhos), encrenqueiro uma barbaridade, mas o mais votado entre os deputados estaduais e o outro (Fábio), ainda engatinhando como deputado federal, mas já se notabilizando como respeitado congressista e dando pinta de que vai ser tudo o que quiser na política do Estado. Não bastasse o peso do nome Trad, Nelsinho, repito, duas vezes prefeito de Campo Grande, tem ainda a empurrar sua candidatura um trator de esteira da marca Puccinelli. É mesmo para desmotivar não só titio Zeca, mas qualquer um que se atreva nessa empreitada.
