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quinta-feira, julho 2, 2026

Murilo é acusado de crime hediondo

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12/09/2011 – 09:09

Embora esteja muito claro em seu expediente que o jornal expressa sua opinião (apenas) pelo editorial e que “as demais opiniões são de responsabilidade de seus autores” o sessentão O Progresso, por tudo que se conhece de sua “linha editorial”, foi longe até demais, em sua edição de sábado, ao ridicularizar a administração do prefeito Murilo Zauith e seus aliados, permitindo um texto – “quase doze anos de inércia e blá blá blá” – pra lá de contundente de um de seus mais antigos articulistas – o advogado Altair da Costa Dantas (foto). Esculhambando os oito anos do principal aliado e co-gestor de Zauith, o PT, passando pelo que considerou de “nefasto” período “ajuda eu”, de Ari Artuzi, o texto, sempre poético, traz uma acusação jamais feita a um administrador douradense, nem mesmo ao Valdecir com todas as suas loucuras – a de crime hediondo, pelo polêmico e controvertido projeto de “alargamento” do perímetro urbano.

O mais intrigante é que o mesmo assunto já havia causado um quiproquó entre o prefeito e a direção de O Progresso, o que por pouco não provocou um novo infarto em Zauith, em plena redação do jornal, depois que a jornalista Valéria Araújo, dedo em riste, recusou-se a fornecer as fontes de detalhes que certamente colocariam em risco a tramitação do projeto na Câmara Municipal ou causariam a incompreensão de contribuintes mais esclarecidos, como o articulista que assina como Alcodan.

Depois de criticar “o estado de inércia e falta de vontade política” desde os tempos de Tetila, o que teria provocado a era “ajuda eu”, Dantas lembra que “Dourados foi perdendo o viço, foi começando a deixar de sonhar com o porvir (sic),” afirmando que “de lá até os dias hodiernos nada mudou”. Aí, misturando poesia com a acidez de quem conhece as filas do SUS, já sobre a era Zauith, denunciando que “o município e sua sede estão envolvidos num blá blá blá insosso, descolorido, sem nada que possa indicar o amanhecer do tão esperado dia do planejamento e da fixação de prioridades que importariam, verbi gratia, na melhor e útil distribuição de remédios, consultas e realização de exames dentro do tempo exigido para o bom e nobre restabelecimento da saúde de cada douradense”.

Sarcástico, o gongórico articulista vai mais adiante, dizendo que interessante é que até agora as obras municipais de maior ressonância são aquelas do tempo “ajuda eu”, uma referência ao asfalto, principalmente, conseguido pelo Valdecir junto ao governador André Puccinelli. Só não chamou de pinguela a ponte começada construir por Zauith na rua de acesso ao bairro Cachoeirinha, mas o deboche fica evidente quando escreve que “a obra se transforma num fato altissonante superior a descoberta da pólvora”.

A denúncia, com toda sua gravidade, vem no PS, o pós-escrito, aquele rabicho de texto usado por escrevinhadores com estilo, como Dantas, quando se “esquecem” de algo importante:

“A Perimetral Norte, em fase final de construção, e as favelas de tijolos furados, cal e areia, são do tempo do ‘ajuda eu’, por outro lado, aprovar o alargamento do perímetro urbano, nos moldes propostos pelo executivo, atenta contra o primado da probidade administrativa – é crime hediondo!”, escreveu, seguido do famoso “…Assim foi… Assim é… Assim será…”.

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