16/09/2011 – 17:09
Zeca do PT vai, sim – e por ora -, abandonar a política partidária, muito provavelmente assumindo um cargo multinacional no governo Dilma Rousseff, por indicação do amigo do peito e companheiro de biritas Lula da Silva, mas não sem antes aprontar um salseiro daqueles nas eleições de 2012, para ver como é que fica dois anos depois, quando chegar a hora da onça beber água. Dividindo, ainda, com André Puccinelli, o patrimônio eleitoral do Estado, o ex-governador quer dar uma ajudinha a alguns companheiros de partido ou das legendas que lhe ajudaram a fazer bonito nas últimas eleições. Um deles, “o Jorge” – deputado estadual George Takimoto (foto), vice-prefeito de Dourados, vice-governador e federal que, revigorado pelo efeito fênix, graças ao nanico PSL, pode arrumar uma confusão daquelas na pequena área do jogo de daqui a um ano.
Dia desses, cansado da ociosidade à beira do rancho do Aquidauana, titio Zeca convidou madame Gilda para um chopinho num barzinho pra lá de aconchegante nos altos da Antonio Maria Coelho, em Campo Grande. Conversa vai, conversa vem, influenciado pela energia de seu guru João Leite Schmidt, assíduo frequentador do boteco e para quem na saúde é Deus no céu e Takimoto na terra, eis que o nome do deputado vem à baila. Como anda contrariado pelo flerte de outro douradense – Murilo Zauith – por quem tem uma baita estima, mas que anda flertando descaradamente com Delcídio do Amaral, Zeca aciona por celular Emídio Milas, o único empresário de comunicação que confiou em seu taco na primeira eleição de governador e que atualmente é o chefe de gabinete do deputado da Cabeceira Alegre. Convite aceito para uma saideira, e como Milas e Takimoto são unha e carne, quando estão na capital, foi só inverter a rota e, em vez de continuarem subindo para o Parque dos Poderes, retornando pela Mato Grosso, nem dando tempo para Gilda começar a importunar pelo retorno, ops!, voltar pra casa.
Com sua inconfundível tratativa oblíqua na segunda pessoa do singular o homem de Murtinho foi logo abrindo os olhos cada vez mais fechados do parceiro já se abancando: “vou te dizer três coisas: estou de saco cheio desse nhenhenhém do partido, não quero mais saber de papo com Delcídio, mas quero ajudar alguns amigos nas próximas eleições”. Até aí tudo bem. O susto, quase fazendo o sempre muito tímido Takimoto devolver a linguicinha carregada na pimenta veio quando Zeca carregou no sotaque pantaneiro com uma intimação: “e quero dizer pra ti, olhando bem nos teus olhos, se quiser, você é meu candidato a prefeito em Dourados”. E sem dar tempo a réplica, justificou: “não interessa para onde ou com quem vai o partido (PT), lá você é o que tem o melhor perfil, o nome que Dourados precisa neste momento traumático, quero andar contigo de porta em porta, de casa em casa, vamos dar um ‘culepe’ nesse povo”.
É assim que começa a coisa. Como termina só Deus sabe. Mas onde tem o dedo e o maquiavelismo de Schmidt, normalmente costuma dar certo.
