25/09/2011 – 10:09
O que tem a ver o dirigente de uma empresa de saneamento falando em nome do governador do Estado na posse do magnífico da Universidade Estadual? O mundo acadêmico pode até não ter entendido a incumbência confiada – e esta é a palavra – por André Puccinelli ao presidente da Sanesul, José Carlos Barbosa (foto), mas tudo ficando muito claro para quatro dos protagonistas da disputa sucessória do ano que vem sentados na primeira fila da cerimônia da última sexta-feira, no teatro municipal.
Tudo bem que Zé Carlinhos, ou Barbosinha, como é conhecido um dos mais eficientes quadros do atual governo, é também professor universitário, mas tá na cara que Puccinelli já sinaliza uma posição, bem ao estilo do general-presidente João Figueiredo (“qualquer coisa eu chamo o Pires”, numa menção ao então ministro do Exército como candidato à presidência diante das desavenças entre aliados). Acontece que com a aproximação do deadline para o tradicional troca-troca partidário para quem pretende disputar as eleições do ano que vem é cada vez maior o estica-e-puxa entre aliados, todos de olho grande na cadeira do atual prefeito, o próprio, inclusive.
Ainda digerindo a súbita recaída socialista de seu ex-vice-governador Murilo Zauith, tendo de aguentar os chiliques do “mui amigo” federal Dr. Pereira, sempre ameaçando abandonar o barco peemedebista caso não seja o ungido, Puccinelli ainda tem de administrar os rompantes do “demo” Zé Roberto, que parece ter resolvido vender suas boiadas para virar prefeito, sem contar no inesperado da disposição “prefeiturável” de outro, este sim, amigo e colega de bisturi, George Takimoto, que embora eleito estadual na chapa adversária sempre foi visto como parceiro para o projeto de sucessão municipal. Como, para azedar ainda mais seus bofes o outro federal e tido como o candidato de seu coração, o Gonçalves Leite, andou pisando feio nos tomates com aquela história de se vender para o Valdecir, o governador tem em Zé Carlinhos uma espécie de coelho para tirar da cartola caso as coisas desandem antes da hora.
O problema para André Puccinelli é que essa era uma encrenca anunciada para a sucessão de Zauith, mas só em 2016. Até lá ele já estaria mais longe disso tudo, gozando os prazeres do Senado, Zé Carlos Barbosa e Délia Razuk provavelmente eleitos deputado estadual, Zauith se fartado desse negócio de ser prefeito, sem contar a possibilidade dos outros irem ficando pelo caminho, como consequência dos escândalos da Uragano e de outros que estão para explodir e que, com certeza, farão um estrago medonho nos próximos pleitos.
