30/09/2011 – 10:09
Anita Tetslaff
O camarada que projetou o que seria o Centro de Convenções de Dourados deve ter se inspirado em algumas das muitas reportagens denunciando outro tipo de farra com o dinheiro público – aqueles Congressos para os quais políticos, normalmente vereadores, pegam diárias mais passagens aéreas, mas por lá passando apenas para assinar a ficha de presença, daí escapulindo para uma praia ou algum ponto turístico, voltando apenas para retirar o certificado de participação. Pelo tamanho do auditório (foto à direita), mais ou menos metade do espaço do Teatro Municipal, que já está pequeno, o arquiteto deve ter levado em consideração a distância dali até a Casa China, com a convicção de que é por entre suas gôndolas, principalmente as de produtos eletrônicos e de bebidas que estará circulando a clientela para a qual a obra se destina.
Até agora são R$ 2 milhões e 800 mil de investimento numa arapuca. Como que a desdenhar da incompetência de seus idealizadores e “gestores”, os pássaros que sobrevoam a região oeste da cidade, na saída para o aeroporto, ali pousam suavemente sem medo de ficarem engaiolados e só batem asas em outras direções talvez pelo mau cheiro de fezes dos humanos, certamente de gaiatos que ao ali deixarem suas imundícias vêem nisso o único jeito de “homenagear” políticos que tratam o dinheiro público com tanto deboche e irresponsabilidade.
Culpa de quem? Em princípio, da burocracia da prefeitura. A embromação começou na administração do petista Laerte Tetila, depois que o Senador também petista Delcídio do Amaral conseguiu o mais difícil, que é a alocação dos recursos, junto ao Ministério do Turismo. Aí veio o (des) governo Valdecir, e a coisa continuou enrolada. Uma das empresas, a que fazia a parte interna (justamente a do auditório) quebrou, e por conta disso a outra não pode dar continuidade à parte externa. Ambas alegam que a demora da prefeitura para liberar a execução da obra, depois de vencida a fase licitatória, provocou a defasagem dos valores e que agora “apenas” R$ 2,8 milhões já liberados é muito pouco.
Mais um abacaxi, como se vê, para Murilo Zauith, que não quer aumentar a contrapartida da prefeitura, como reclamam as empreiteiras, já que se não se resolver tudo até o final deste ano o município perde o dinheiro que está depositado na Caixa Econômica, com esta finalidade. Será que madame Dilma Rousseff sabe de mais esta barbaridade?
