04/10/2011 – 10:10
Anita Tetslaff
Plenária petista organizada pelo vereador Dirceu Longhi, com Murilo Zauith e Braz Melo na mesa principal.
Dos fundos do barracão de madeira coberto de zinco, bem no ponto da Weimar Torres onde a “Geni” dos anos sessenta costumava fazer a alegria da molecada da Cabeceira Alegre sem que ninguém lhe atirasse pedras e onde hoje o PT costuma promover seus regabofes para, entre outras coisas, atrair novos filiados, vinha um convidativo cheiro de torresmo frito em banha de porco. Era a pitada perfeita para instigar o imaginário de alguns dos ilustres convidados da noite quanto ao tamanho do tacho e sua temperatura, diante da inevitável seleção de quem nele jogar primeiro, quando a fervura atingir seu grau máximo, lá pra meados do ano que vem.
Assim começou a semana mais decisiva do ano na cidade que ainda tenta se refazer dos devastadores efeitos do furacão do ano passado, já que nesta sexta-feira expira o prazo de filiação para quem pretende disputar as eleições de 2012. Não bastasse a tensão natural destas ocasiões, com, por exemplo, um Zé do Boi da vida aviltando os alvos (mais especificamente pré-candidatos a vereador) das transações, pairavam no ar ao anoitecer desta segunda-feira informações as mais desencontradas sobre a tão temida quebra de sigilo para se apurar o mensalão denunciado por Ary Rigo na Assembleia Legislativa e o afunilamento das ações do Ministério Público Estadual quanto ao “mensalinho” da Câmara Municipal de Dourados. E, pior, muito de pé-de-ouvido, gente que entende do riscado garantindo que, neste caso, não sobra ninguém para contar a história.
Antes da plenária petista, num dos endereços mais famosos da política douradense – a casa do filho de seu Quinzito, esquina da Monte Alegre com Hilda Bergo Duarte – a primeira mexida concreta para a tentativa de mudança do status quo da política na terra de seu Marcelino. Em cerimônia emocionada e carregada de juras de fidelidade eterna, como é de seu feitio, o ex-prefeito e quase ex-governador Zé Elias Moreira assinou ficha de filiação no PSL, partido do deputado George Takimoto, com o testemunho do ex-governador Zeca do PT e de seu sobrinho federal Wander Loubet. Ambos, concordando num ponto: seria uma “insanidade” uma cidade do porte de Dourados trabalhar com a perspectiva de candidatura única à prefeitura. O nome para peitar Murilo Zauith? Quem acompanha o blog já sabe há dias: o do japonês, craque no bisturi e muito mais ainda na arte de articulação política. Takimoto aproveitou o embalo e discursou como pré-candidato.
No templo petista, passados alguns minutinhos, apenas, com Murilo Zauith sentado à esquerda, o tom dos discursos de titio Zeca e do sobrinho Loubet já era outro. Vander, comprometendo-se a trabalhar em Brasília pelo sucesso da administração agora socialista de Zauith e falando da importância de o PT eleger seu sucessor. Zeca, mais desenxabido que nunca, ainda sob o efeito dos afagos do amigo Zé Elias, reencarnando o espírito do bancário que, mesmo aposentado, sairia dali para se apresentar ao presidente de seu sindicato para fazer piquete na greve da categoria, em Campo Grande. Nenhuma palavra sobre o prometido apoio a Takimoto, muito menos sobre o governo Zauith, do qual seu PT participa.
De concreto, neste dia que marcou o início da contagem regressiva para o troca-troca partidário, só mesmo a disposição de Zauith em aproveitar o embalo para trocar a vice, companheira Dinaci Ranzi. De preferência por Antonio Nogueira, do PMDB. Sim, porque depois de sexta-feira zera tudo, inclusive esse negócio de candidatura própria peemedebista, voltando as tratativas dos retornos etc. e tal. O resto é balela. Ou bravatas, muitas bravatas, como se viu e ouviu ontem.
