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Murilo castigado em dose dupla

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13/10/2011 – 11:10

“JN no Ar”, pouso “forçado” ontem à noite em Campo Grande.

Os militares haviam acabado de se abancar no poder político em Brasília quando um parente nosso contraiu uma tuberculose, ali na Cabeceira Alegre. E tuberculose naquela época era como Aids até pouco tempo atrás, porque era pá bufe! Muito bem. Graças a amizade com dona Lóide (Bonfim Andrade), o anjo da guarda dos índios do Jaguapiru, a família conseguiu a internação de um não-índio no recém-inaugurado Hospital Porta da Esperança, que mantinha uma ala para atender exclusivamente índios tuberculosos de todo o País. O que mais me chamava a atenção durante as visitas ao dito cujo, quando comecei a fortalecer as panturrilhas pelo tanto que pedalava até lá numa Góricke-ônix, eram as rigorosas condições de higiene e segurança, sem falar da alimentação, de doente, mas deixando a gente com água na boca, de tão apetitosa, o que era possível, evidentemente, porque naqueles tempos o Hospital Evangélico, mantido pela Missão, não desviava dinheiro para pagar mensalinho de vereador e “cositas más”.

Passados mais de trinta anos, em meados da década de 1990, acompanhando Murilo Zauith como anfitrião de Matinas Suzuki (seu amigo de infância de Barretos que viera para uma palestra aos colegas jornalistas da terra de seu Marcelino) na aldeia Jaguapiru, impressionou-me a visão do hoje prefeito quanto as questões relacionadas à causa indígena. Naquela visita, aliás, nascia a ideia de implantação de um Núcleo de sua Unigran na reserva, mesmo diante da advertência de que poderia ter problemas, depois de o ex-prefeito José Elias Moreira quase ter sido linchado pelos indigenistas só porque ali tentou implantar seu Araporã – um projeto de hortifrutigranjeiro.

Agora, vendo de novo a exposição de Dourados ao ridículo em rede nacional, na Globo, diante do ultimato dado pelo Ministério Público para que a prefeitura explique tim-tim por tim-tim onde foi parar o dinheiro destinado à saúde dos índios, fico imaginando o desconforto da saia justa em que foi se meter o mesmo Murilo Zauith. E não tem como escapar, logo ele, tadinho, que nem porta-voz (tão útil nessas horas) tem. O abacaxi, herança ou não de Valdecir Artuzi ou de quem quer que seja, está aí para ser descascado.

Pior que este bonde indígena que pegou andando, para Zauith, é explicar por que o avião do JN no ar não consegue pousar em Dourados. Sim, porque já como vice-governador do Estado uma de suas missões era deixar o aeroporto Francisco de Matos Pereira nos trinques, para pousos e decolagens de aeronaves de médio porte como o que transporta a equipe de jornalismo dos Marinho. Para aumentar a urucubaca, a lembrança de que no (des) governo Valdecir até o Airbus (daquele tamanhão) do Lula pousou no mesmo aeroporto.

PS – Com o aeroporto de Ponta Porã fechado devido ao mau tempo, o jato do “JN no ar” acabou tendo de pousar ontem à noite em Campo Grande, e a equipe do repórter André Luiz Azevedo se deslocado até Dourados numa Van. Alguma dúvida de que agora a Infraero se sensibiliza para dar ao aeroporto local condições de voos por instrumento?

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