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quinta-feira, julho 2, 2026

Uma imagem para contrapor ao Pan mexicano

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14/10/2011 – 15:10

Jornal Nacional, 13/10

Tem pão velho? Não! Mas temos Vila Olímpica, e a senhora está no JN no ar!

Parece que estou vendo uma reunião de pauta do jornalismo global com suas afiliadas Brasil afora e, de forma peremptória, a orientação quanto a linha a ser seguida: que seja sensacionalista, mas que garanta audiência a qualquer custo, mais do que nunca, na semana em que a rede Record, do bispo Edir Macedo, transmite com exclusividade para o Brasil e para o mundo a décima sexta edição dos Jogos Pan Americanos que começam oficialmente nesta sexta-feira na mexicana Guadalajara de tão boas recordações para o futebol brasileiro. A propósito: alguém se lembra de ter visto ou ouvido pelo menos alguma “notinha pelada” (texto sem imagens) na Globo sobre este Pan? O antídoto para um evento tão espetaculoso? Entre outras coisas, claro, os pobres índios douradenses. Pelo menos para alavancar audiência, na Globo, eles sempre serviram.

A reportagem do colega André Luiz Azevedo com o já famoso “JN no ar” sobre a situação dos índios douradenses foi das mais chochas. Se a Globo utilizasse o dinheiro que gastou em querosene com o avião e comprasse cestas básicas para distribuir aos protagonistas do que não passou de mais um programinha (na acepção da palavra, sem preconceito!) de índio, teria contribuído muito mais com meus conterrâneos do Jaguapiru. E põe a menininha da repetidora local, a Míriam Névola, que, bem pautada pelo competente Antonio Marcos, daria conta do recado bonitinho, com uma reportagem bem melhor que a de Azevedo. Pelo menos ela deve estar por dentro da real situação e não repetiria tanta (des) informação num espaço tão precioso.

Que a Globo tem fascinação por índio não é segredo, mas não precisava exagerar, expondo, assim tão acintosa e negativamente, em rede nacional, uma cidade ainda traumatizada pelos excessos do Valdecir e de sua camarilha.

Aliás, o que ficou da reportagem de ontem foi uma nova imagem de Dourados para o Brasil e para o mundo: a do semblante triste e de desesperança de uma índia velha em busca de socorro médico dentro de uma Kombi caindo aos pedaços. E olha que ouvi, e espremi o quanto pude a reportagem de Azevedo. Fora o espetáculo das imagens no qual a Globo é imbatível e, aí, sim, chegando perto da discussão onde está o dinheiro que teria sido desviado, a mea-culpa do repórter, como que reconhecendo o exagero da pauta, ao “informar” que o dinheiro está parado na conta da prefeitura. Ora, se está parado é porque não foi desviado, logo, “cairia” a matéria, como se diz no jargão jornalístico.

Uma pena que a secretária de saúde, Sílvia Bosso, em seus poucos segundos de fama nacional não teve palavras para explicar que talvez tudo esteja acontecendo pelo excesso de zelo de um prefeito que não precisa de retornos e que por isso trava uma luta diária contra a corrupção. Esta síntese do discurso de Murilo Zauith também não foi ao ar. Não dá Ibope, e o Pan mexicano está aí, com a Record nos calcanhares da Globo.   

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