02/11/2011 – 09:11
Foto: Valmir Leite
Jamais imaginei precisar recorrer tão cedo ao arquivo fotográfico de agosto do ano passado, do encontro histórico de dois fenômenos, em Dourados – o prefeito de então, Ari Valdecir Artuzi e o presidente de turno da República, Luiz Ignácio Lula da Silva. Valdecir, depois do susto da Owari, mas sempre muito ativo, já pressentindo que os ventos que sopravam lá das bandas de sua terra natal nada tinham a ver com o minuano que tanto castigou a gauchada desprevenida que para cá veio primeiro que ele, na virada do século retrasado. Era, na verdade, um furacão (uragano) que chegava, anunciando o começo do fim. Lula, relutando em “desencarnar” do poder, por aqui dando uma passadinha para mais um empurrãozinho na candidatura de sua preposta Dilma Rousseff (à época nem bem restabelecida de um câncer linfático) à sua própria sucessão.
Por uma dessas ironias do destino, o Valdecir, com mais tempo de mandato pela frente, acabou “desencarnando” primeiro da prefeitura, depois de preso e obrigado a renunciar de dentro de uma cela do presídio federal de Campo Grande. Lula cumpriu o rito, dentro da normalidade democrática. Valdecir saiu da cadeia e, pasme, continuou não dando sossego àqueles que imaginava seus algozes. Lula, pelo mundo, colhendo os louros do sucesso de seu governo, mas não deixando de, no Brasil, fazer política vinte e quatro horas por dia “inclusive à noite”, como dizia o Valdecir.
O que eles não esperavam era por essa armadilha do destino. Fenômenos da política, mas seres humanos, vulneráveis aos males do cotidiano de todos os mortais. Lula com câncer na laringe. Ironicamente, no seu caso, mais “inoperável” que nunca, pelos riscos de comprometimento das cordas vocais, seu principal “instrumento” de trabalho. Desde ontem, na quimioterapia. Valdecir, depois dos tombos da política, caindo, literalmente, do cavalo em seu sítio, o que afetou uma hérnia que lhe incomodava desde os dias de chilindró. O que ele não imaginava é que aquele tombo, associado à mordida de um porco e a tantos outros revezes destes tempos bicudos poderia trazer à tona um problema recorrente em sua família e que, entre outros, matou aquele que lhe abriu espaço no caminho das urnas, o tio vereador Dioclécio Sucupira, vítima de um câncer no estômago.
Depois de uma cirurgia, ontem, no Hospital da Vida, o ex-prefeito Ari Valdecir Artuzi foi transferido para uma UTI do Hospital Evangélico, ironicamente, também, um dos pivôs dos muitos escândalos que deram origem ao mesmo furacão que lhe fez apear mais cedo do poder. Para o médico oncologista que o operou, Aroldo Henrique da Silva, o quadro é de neoplasia, ou seja, câncer, restando saber se é benigno ou maligno. Na cirurgia foi retirado um tumor que obstruía o intestino grosso. “Uma cirurgia grande”, informou o médico agora de manhã ao blog. “Mas tirei tudo” disse, descartando, de antemão, o quadro de metástase, mas evitando se adiantar ao resultado da biopsia, limitando-se a dizer que o Valdecir “está bem”..
Que o Valdecir, aqui, e o Lula lá, fiquem realmente bem. E que valha, mais do que nunca, para ambos, este sinal aí, do Valdecir fungando no cangote de Lula.
