29/11/2011 – 13:11
Até aqui sempre escrevi sobre as vantagens de Dourados com a divisão do Mato Grosso, pelo menos naquele intrincado momento político de nossa história, já que pela birra do piauiense Garcia Neto, que governava o gigante Colosso, a ordem era desviar de Campo Grande para cá tudo o que fosse possível, como, por exemplo, o curso de agronomia, principal alavanca para a transferência também da sede da Universidade Estadual.
Nesta segunda-feira, sem poder me aprofundar nas picuinhas da política local, por recomendação médica, depois de mais uma baita crise de hipertensão (acho que a culpa é do Curíntia), refestelado no sofá da sala de TV ante o mais absoluto silêncio da saracura, eis que me deparo com o senador “republicano” Blairo Maggi (foto) na tribuna do Senado conclamando seus colegas de salão azul a votarem o mais tardar na próxima quinta-feira o novo Código Florestal Brasileiro, segundo ele, a mais importante matéria em tramitação no Congresso na atual legislatura, quiçá nos últimos tempos.
Na presidência de mais uma dessas sonolentas sessões vespertinas de segunda-feira, o sul-mato-grossense Waldemir Moka. Ele e mais meia dúzia de gatos pingados se debulhando em elogios ao trabalho do rei da soja e prêmio motosserra de ouro (do Greenpeace, concedido aos campeões do desmatamento no Brasil) na elaboração do documento. Foi o suficiente para a pressão voltar a subir, mesmo assim, antes de atribuir o que estava assistindo a qualquer tipo de alucinação, reforcei a medicação, não sem antes lamentar o fato de que ali, no lugar de Moka, poderia estar Murilo Zauith, como representante da maior região produtora do Estado e como tal maior interessada no novo Código Florestal e que, por ter essa credencial talvez não estivesse nessa babação de ovo a Maggi. O mesmo Murilo que não se cansa de defender um melhor lugar ao sol para Dourados na política estadual, para que, a exemplo de Rondonópolis, saia também daqui um senador ou quem sabe um governador, como saíram Carlos Bezerra e o próprio Maggi, ambos representantes da segunda cidade mato-grossense.
Se por todos os outros ângulos da questão sempre considerei a divisão do Estado um tiro que saiu pela culatra, para o Mato Grosso do Sul, por este, agora, certamente que para Dourados foi muito pior.
Quanto à participação de Blairo Maggi na elaboração e votação do novo Código Florestal, fosse o Congresso Nacional minimamente sério seria levantada a suspeição deste senhor nesta matéria.
