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quarta-feira, julho 1, 2026

Força estranha aniquila política douradense

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20/01/2012 – 10:01

Eu vi muitos homens brigando/

Ouvi seus gritos/

Estive no fundo de cada/

Vontade encoberta/

E a coisa mais certa/

De todas as coisas/

Não vale um caminho sob o sol/

E o sol sobre a estrada/

É o sol sobre a estrada/

É o sol…/ 

Por isso uma força/

Me leva a cantar (e o blogueiro a escrever)/

Por isso essa força/

Estranha no ar/

Por isso é que eu canto (e o blobueiro escreve)/

Não posso parar (o blogueiro também não)/

Por isso essa voz (esse texto),  essa voz (esse texto)/

Tamanha (o)…

Metido a articulador político e pensando numa dobradinha forte da Grande Dourados para as eleições legislativas de 2002 promovi um encontro, no início daquele ano, entre o ex-deputado Roberto Razuk, que depois de oito anos tentava voltar à Assembleia Legislativa, e a professora Ively Monteiro. Consolidada como empresária do ensino universitário particular e ligada politicamente ao senador Ramez Tebet, Ively se articulava para ser deputada federal. No dia 4 de agosto, um domingo, na hora do almoço, já em plena campanha e despontando nas pesquisas como um dos mais votados, Razuk recebe uma visitinha do xerife Bráulio Galloni. Estava preso e, ora, vejam só, por suposto crime contra o sistema financeiro puxou quase três anos de cana, com a carreira política indo para o beleléu. Diante de denúncias de irregularidades na expedição de diplomas em uma de suas faculdades a candidatura de Ively foi abortada, ela quase acaba também no xilindró e, desgostosa, morrendo de câncer logo em seguida.

Na esteira desses dois episódios, com a aposentadoria política do grande líder Totó Câmara e do maior de todos os administradores, José Elias Moreira, enquanto uma força estranha abatia Braz Melo na plenitude de sua hegemonia política, começam a surgir novas lideranças, oriundas do empresariado. Entre elas o engenheiro Murilo Zauith, batendo continência diante do pelotão de Braz, apresentando-se como candidato a deputado estadual.

Com a eleição de Zauith para a Assembleia Legislativa, outros empresários se assanham com a política. Mas o próximo da lista, Fernando Rocha, tem o mesmo fim de Razuk. Bastaram alguns ajuntamentos de eleitores, onde ensaiou seus primeiros discursos e, fundamentalmente, o apoio à eleição de Valdecir Artuzi a deputado estadual e lá foi ele também para a cadeia, acusado de sonegação fiscal. O sonho de Fernandão Rocha era ser prefeito.

Já elevado à condição de fenômeno eleitoral, Valdecir Artuzi bate recorde eleitoral na reeleição para deputado estadual. Daí para a prefeitura foi um pulo. Por trás dele, pela boa performance na articulação política já despontando como candidato a deputado estadual, além de dar cartas e jogar de mão na prefeitura, o jovem empresário Eduardo (Dudu) Takeshi Uemura. Vem a Owari. Dudu e toda a família, além de vereadores e secretários municipais vão para a cadeia. Sobra o Valdecir, mas só até a Uragano, quando ele, a mulher, os principais secretários e quase toda a Câmara também vai para trás das grades. Por uma destas voltas que a vida dá, apenas Délia Razuk sai ilesa das duas operações da Polícia Federal. E, com isso, Murilo Zauith, que havia perdido duas eleições seguidas finalmente vira prefeito.

Nesse entremeio o petista Laerte Tetila se consolida como grande referência política, depois de oito anos de uma administração consistente, voltada para o social. Com a aura da honestidade – uma ameaça, portanto – encontraram um jeito de jogar o filho, André, na vala comum da Owari, por suposto envolvimento em esquemas da administração do pai.

Por coincidência, foi entrar 2012 e mandaram para o xilindró o médico e ex-vereador Luiz Machado, braço direito do deputado George Takimoto, desde o ano passado colocado como candidato a prefeito, com o apoio de titio Zeca do PT e Cia.

Lembrando que antes, por terem caído em tentação, acusados de tirar um naco muito grande do fruto proibido dos retornos, dois outros potenciais candidatos ao mesmo cargo, os deputados peemedebistas Geraldo Resende e Marçal Filho foram denunciados pela Procuradoria Geral da República, aguardando-se apenas a autorização do Supremo Tribunal Federal para que comece a devassa que poderá levá-los igualmente à desgraça.

Põe força estranha nisso!, como diz a composição de Caetano Veloso, um dos grandes sucessos de Roberto Carlos. Por via das dúvidas, agora cantarolando uma estrofe anterior à que abre este texto, é que “eu pus os meus pés no riacho (Laranja Doce, onde canta a saracura) e acho que nunca os tirei (porque) o sol ainda brilha na estrada e eu nunca passei…”.

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