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quarta-feira, julho 1, 2026

Só intervenção no diretório municipal salva aliança petista para reeleição de Murilo

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01/02/2012 – 09:02

Foto: Anita Tetslaff

 A vice petista Dinaci, mesmo só assistindo Murilo, queimada pela companheirada.

O Tetila (Laerte, deputado) querer é uma coisa, o diretório municipal do PT engolir é outra bem diferente. Assim um enxadrista do petismo douradense com direito a voto na convenção define a situação do partido que um dia foi dos trabalhadores em relação ao projeto de reeleição do prefeito Murilo Zauith. Para o moço, como diz Barbara Neto, por mais respeito que a companheirada tenha pelo ex-prefeito a aliança dificilmente passa pelo crivo do atual diretório. Com lápis, papel e a relação de quem é quem entre os mais encardidos (os douradenses) petistas do Brasil na mão, ele faz as contas e chega a conclusão de que se Zauith quer mesmo manter o grupo que possibilitou sua entronização no poder local que procure logo “o amiguinho e novo aliado” Delcídio do Amaral e trate de conseguir uma intervenção no diretório municipal, pois do jeito que está a coisa não vira.

Por mais que a dita “imprensa subordina” bata na tecla de um mar de rosas entre o demo recém convertido ao socialismo e o grupo delcidiano que se apoderou de uma das pontas da estrela vermelha, uma análise desapaixonada dos números de quem está acostumado aos arranca-rabos entre a militância mostra o suficiente para deixar Zauith sem dormir pelo menos até a convenção. Por mais razoável que seja a tese de Tetila de que Dourados não pode ficar trocando de prefeito como se troca de camisa, ele tem apenas seis por cento dos votos dos convencionais. Isso, somados os votos de sua esposa, Zonir de Freitas, segunda suplente de Delcídio no Senado e tida como sargentona no partido. Outra coisa, mesmo fiel seguidor de Tetila, o professor doutor Wilson Biasotto, colocado de escanteio na administração, teria disposição para votar pela continuidade do que aí está?

Quem manda, de verdade, no diretório do PT douradense é o vereador Dirceu Longhi, da majoritária corrente de Lula Construindo um Novo Brasil, coadjuvado pelo ex-deputado João Grandão, da famosa DS, a Democracia Socialista. Só aí são quase 80% dos votantes. Agora, veja bem: Dirceu, embora o melhor contemplado com cargos na administração do companheiro Murilo continua descontente. Queria porque queria a sempre azeitada máquina de fazer política que é a Secretaria de Serviços Urbanos, entregue ao sogro de Maurício Lemes Soares, potencial candidato de Murilo à sua cadeira na Câmara. É o que mais está se articulando em busca de novos horizontes. João Grandão, preterido como candidato a vice-prefeito, só conseguiu emplacar o tal do Betoni na Secretaria de Educação. E, desconfia-se, se um dia Deus mandar bom tempo e Zauith conseguir fazer uma mexida, sequer, no secretariado, o protegido de Grandão seria, aí, sim, o contemplado. Ainda mais agora que Grandão está com a caneta da reforma agrária do Estado na mão e com a fila de Sem Terra só esticando é que ele vai ter mais de mil razões para alegar que está sem tempo para se sentar com o prefeito, pelo menos, para discutir sucessão. Ah, e lembrando que outro protegido seu, também com alguns votinhos no diretório, Oslon Estigarribia foi o primeiro a ser defenestrado da atual administração.

Pensa que acaba por aí o pesadelo petista de Murilo Zauith? Tem ainda a xiitada, a ala mais radical, comandada por Elias Ishy, o amigão de André Puccinelli e único vereador de oposição. Sua corrente, a Articulação de Esquerda deve ter aí coisa de 15% dos votos. É pouco, mas faz um estrago danado, principalmente levando-se em conta que foi mais ou menos esta a margem de votos que sacramentou a aliança de um ano atrás. E isso, no traumático pós-Uragano, quando a tese da união por Dourados era mais que imperiosa.

Pra completar a confusão, os petistas rifaram de vez a companheira Dinaci Ranzi, a vice-prefeita do consenso de então. Na improvável hipótese de uma reviravolta neste quadro e, restabelecida a aliança, eles imporiam outro nome. Esta é uma questão fechada, por entenderem que a administradora hospitalar “murilou” demais, deixando de lado os ideais partidários.

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