26/02/2012 – 10:02
Pela ótica do também poliglota cururu, Geraldo estaria dizendo a Murilo: presta atenção…
A postagem de Ricardo Fava, marqueteiro do prefeito Murilo Zauith, no Facebook, embora, segundo ele, no contexto de compartilhamento de assuntos que rolam nas mídias sociais, serve de alerta nesta delicada fase da chamada pré-campanha eleitoral. Às vezes, na ânsia de agradar ou mostrar serviço, assessores, alguns áulicos, acabam atropelando o processo e colocando em risco grandes projetos, transformando sonhos em pesadelos.
Não sei se aqui no Blog ou em algum original dos livros que pretendo publicar em breve, mas já escrevi sobre uma estratégia cuidadosamente preparada por João Natalício de Oliveira para a gran finale da campanha de Lauro Machado de Souza, em 1976, contra José Elias Moreira. Num tempo em que o voto pingado nas vulneráveis urnas de pano fechada com um zíper dependia muito mais da espessura da sola de botina ou da eloquência (que sobrava ao grande tribuno Lauro) do candidato em palanque, fechar a campanha com a tal chave-de-ouro era um eito importante, pois que daí era só correr para o abraço.
Assim, Natalício encomendou uma edição especial de um hebdomadário local para distribuir logo após o comício de encerramento. Como não havia as facilidades de hoje, offset, essas coisas, foi feita uma produção antecipada, com o candidato usando a mesma camisa de um comício da Vila Vargas, de uma semana antes, não se descuidando nem mesmo de detalhes como o discurso, adrede (alas! como diria Macarrão Torraca) preparado e a disposição dos famigerados papagaios de pirata ao lado dele. O que não estava no script é que Rafael Bianchi, cunhado de Totó Câmara (o prefeito, que apoiava Lauro), pra fazer bonito, começasse a distribuição do jornal em pleno comício, antes mesmo da fala do candidato. Como a corda arrebenta sempre do lado do mais fraco, o legendário Faé pagou o pato pela derrota que se consumaria dois dias depois.
São incontáveis as historinhas como essa ou equívocos históricos como o que levou Braz Melo a abreviar sua promissora carreira política quando resolveu peitar o deputado Valdenir Machado, seu sucessor político natural, para bancar a natimorta candidatura de Antônio Nogueira. Ou, ficando no mesmo Braz Melo, já com ideia fixa no governo do Estado, da “brilhante” ideia de transformar o casamento de uma de suas filhas numa festa para marcar época em Dourados, mas, convite para o banquete, no único hotel cinco estrelas da época, só para uma restrita elite de convidados, incluindo apenas dois secretários e, acreditem, nenhum vereador. Aos pobres mortais, um bolinho de padaria com champanhe do Bazar Silvia, de Pedro Juan, num anexo da Catedral Imaculada Conceição.
Se em 2000 Murilo Zauith caiu do cavalo por acreditar na proposta concebida pela marqueteira Maria Gorete de uma Dourados com prosperidade excluindo a maioria das mais tradicionais lideranças da política local, o discurso, apenas, de que agora Dourados está no rumo certo pode não ser suficiente para sua recondução ao cargo, pois antes de tudo é preciso preparar o estômago paro o cardápio mais básico da política, digerindo sapo, sem fazer cara feia. E nem é o caso de um sapo barbudo como o que Brizola teve de engolir. O que talvez Zauith não tenha entendido, ainda, é o coaxar, em francês – oui, oui, oui – pra disfarçar, na esperança de um retorno, de um sapo de bigodinho da lagoa próximo ao Cruzeiro da João Cândido da Câmara. Se ninguém tomar tento a esse clamor, urgentemente, Ricardo Fava pode ter repetido Faé e, lá na frente, ser dado como bode expiatório, só porque, como dizia minha mãe, tentou fazer um beija-flor e acabou fazendo um urubu.
