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Os ilustres coadjuvantes da história

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04/03/2012 – 10:03

É da senadora agora ainda mais poderosa Conselheira do Tribunal de Contas, Marisa Serrano, numa de suas poucas vindas a Dourados para aquela média (não com os eleitores, mas a da padaria da esquina da major Capilé com a Elias Faker), a frase que melhor define o atual quadro político da terra de seu Marcelino: política é fila. Quem não tiver paciência, aí, parafraseando o incomensurável Luiz Ignácio Lula da Silva, um incansável neste quesito, “sifu”.

Graças à fidalguia do casal de amigos Walter Carneiro e Elizete, que conseguiu reunir ontem um grande número de amigos na Chácara São Benedito para a dupla comemoração de aniversário (presentes políticos do passado, do presente e do futuro, como os ex-deputados Cleomenes Nunes, Oswaldo Dutra e Roberto Orro, o prefeito Murilo Zauith e seu Secretário de Fazenda, Waltinho, mais o irmão caçula João Alfredo, herdeiros políticos dos Carneiros) consegui sacar de meus arquivos a foto que ilustra este texto, emoldurando-a e levando de presente ao casal. Ou melhor, à Elisete. Primeiro, pela paixão desmedida do marido, com mil declarações de amor durante o programa de televisão de outro Benedito, o Cantelli, na véspera da festa, lembrando o início do namoro, quando, no intramuros do Imaculada Conceição, ela mirava languidamente o veterinário recém-formado durante suas visitas às vaquinhas de leite das freiras. Segundo pelo quê, no atual contexto, os dois personagens representam para a história, servindo de exemplo principalmente àqueles que insistem em furar a fila da política.

O cuiabano Walter Carneiro, como afirmei no programa do mesmo Benê Cantelli, um dos melhores quadros da política de Dourados, tanto que foi o único a presidir a Assembleia Legislativa depois da criação do Mato Grosso do Sul, por sua fidelidade canina a José Elias Moreira, acabou encerrando a carreira precocemente, preferindo não querer avançar o sinal. Quando ensaiou carreira-solo, tentando emplacar seu preferido, Valdemir Vasconcelos à sucessão do cunhado, Zé Elias impôs o nome de Luiz Antônio, sem maiores resistências.

O douradense filho de cuiabano Harrison de Figueiredo, o da frente, ao microfone, era uma espécie de lugar-tenente do também cunhado Totó Câmara. Tão brilhante quanto Carneiro, grande tribuno, contentava-se em coadjuvar o prefeito, como secretário ou elaborando pacientemente seus discursos, mesmo o mais difícil deles, como o que teve de ser submetido ao crivo dos milicos, durante a visita do presidente Geisel à cidade. Só depois que Totó abandou a lida política é que ensaiou uma candidatura à Câmara Federal, seu grande sonho e, mais tarde, uma despretensiosa suplência de Marcelo Miranda ao Senado.

E se alguém duvida que paciência na fila seja o único caminho da bem-aventurança política, que se tome o exemplo de André Puccinelli. Em 2002 ele já havia feito tudo o que Campo Grande precisava para se inserir no contexto das melhores capitais brasileiras. Tinha, portanto, a credencial que precisava para marchar rumo ao governo do Estado, mas, confiante em seu taco, preferiu dois anos ao relento na certeza de que sua hora ainda não havia chegado.

Ao contrário, com essa mania de grandeza de alguns políticos douradenses de sempre achar que podem colocar a carroça adiante dos bois, o então todo poderoso Braz Melo “sifu” ao tentar furar a fila com Antônio Nogueira, em 1992, quando o candidato natural seria Valdenir Machado. Valdenir, aliás, cujo coadjuvante, Idenor Machado, só ascendeu à vida pública depois que o irmão dependurou as chuteiras. Como diria o Alcodan, assim foi, assim é, assim será.

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