12/03/2012 – 08:03
Foto: divulgação
Barracão, no Jaguapiru, onde está a sede nacional da Rede Internacional de Televisão.
Enquanto em sua última edição a revista Veja vem com o milho, trombeteando que a Igreja Internacional da Graça de Deus fechou negócio com dois grupos do interior do Mato Grosso do Sul “pensando em ter sua própria rede (de TV) no futuro”, o missionário Romildo Ribeiro, o popular RR Soares já comeu, faz tempo, a canjica, a pamonha e, mais vorazmente, até o bolo (de fubá) de pobre, graças à sementinha plantada no Jaguapiru por José Elias Moreira, do que seria a única emissora de sinal genuinamente douradense, a TV Caiuás. Aliás, por uma dessas ironias do destino, mas, que contrariando a fé professada pelo missionário sei hoje muito bem do que se trata, quando recebi de Arceno Athas a missão para redigir o texto de apresentação do projeto de criação Rede Internacional de Televisão (RIT) recorri à famosa carta de Pero Vaz de Caminha a Dom João VI, garantindo que também na terra de seu Marcelino em se plantando tudo dá. E, assim, desde a primeira metade da primeira década deste novo milênio, para gáudio, agora, do prefeito Murilo Zauith, que talvez nem saiba disso, Dourados, com a RIT, é a única cidade do interior brasileiro a ser sede de uma rede nacional de TV. Ou seja, assim como o Rio de Janeiro tem a Globo, São Paulo a Bandeirantes, o SBT e a Record, entre outras. Um feito que nem a toda poderosa gaúcha RBS conseguiu, pelo paredão erguido pela Globo a partir do Paraná, enquanto que a rede douradense já se espalha por todo o Brasil, chegando a cerca de duzentos municípios, como previa o projeto inicial.
A desinformação de Veja não é apenas quanto à rede futura de RR Soares, que, como se vê, já existe, mas também quando informa sobre negócios fechados no mês passado com dois grupos do MS. Na verdade, logo após a compra da Caiuás, que Zé Elias já havia passado pra frente, Romildo Ribeiro comprou também a TV Guanandi, igualmente fundada por Zé Elias, em Campo Grande. O aconteceu recentemente foi a transferência, aí, sim, da papelada da TV Campo Grande, afiliada do SBT, também adquirida já há alguns anos pela Igreja da Graça.
E o internauta, intrigado, deve estar se perguntando: quer dizer então que o ex-futuro assessor de imprensa do prefeito Zauith e xodó da professora Sireunise, Fábio “Kaxote” Dorta, que é a cara da RIT, está famoso no Brasil inteiro? Uma ova! O que RR Soares fez foi uma gambiarra internacional, comprando, a preço de banana, uma emissora no interior para gerar sua programação religiosa, diante dos naturais obstáculos de se conseguir uma concessão para um grande centro. Tudo é feito em São Paulo, inclusive o jornalismo (terceirizado), ficando o mínimo da produção local relegada ao permanente traço de audiência. De início a RIT, como geradora douradense, existia apenas no papel, já que as imagens com o a programação nacional eram transmitidas a partir de São Paulo, mas a Anatel descobriu o pulo do gato e fez valer sua condição como cabeça de rede da emissora, obrigando o missionário a gastar uns troquinhos a mais com um link de São Paulo para o Jaguapiru, de onde a programação sobe para o satélite e suas preces, acredita-se, para o céu.
Menos mal para uma cidade que já foi tida como a mais suja do Brasil, portal do inferno, depois capital da corrupção, ostentar a condição de “capital” televisiva da Graça “internacional” de Deus, ficando a torcida para que o bem-aventurado missionário deixe na cidade graças à qual fatura seus milhões Brasil afora pelo menos o dízimo de sua rede de TV.
