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Murilo terá papel estratégico em 2014

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27/03/2012 – 09:03

Foto: Anita Tetslaff

Nelsinho Trad e Murilo Zauith, somando as forças de Campo Grande e Dourados para 2014

O peemedebista André Puccinelli, candidatíssimo a senador, namora o petista Delcídio do Amaral, fortíssimo candidato a governador, que não gosta do companheiro Zeca do PT, que não gosta do sucessor, mas que paquera com seu ex-vice-governador Murilo Zauith, agora prefeito neo-socialista da segunda cidade do Estado e praticamente reeleito com apoio do governador. Por sua vez, Zauith namora o neo-pessedista Antônio João Hugo Rodrigues, padrinho político de Nelsinho Trad, por ele enfiado goela abaixo em André Puccinelli como prefeito de Campo Grande e quem sonha suceder para depois fazê-lo governador. Detalhe, o temido AJ, dono do Correio do Estado, tem contas a acertar com Delcídio do Amaral, de quem foi suplente no Senado, também não indo muito com a cara de André Puccinelli. Sob o guarda-sol de Dilma Rousseff, ninguém quer se queimar antes de 2014, tudo a depender da temperatura no Congresso ou na Esplanada dos Ministérios por conta da lambança que pode fazer o PMDB em sua desenfreada busca por cargos de bons retornos.

O que pode acontecer daqui a dois anos como consequência dessa enxurrada de aliados de tão diferentes matizes ideológicos pode ter tido início dois anos atrás, quando Dourados sonhava eleger Murilo Zauith senador. Num belo dia de um belo evento político no auditório que leva o nome do pai do senador Delcídio do Amaral, na Associação Comercial e Industrial, eis que irrompe com toda sua entourage, aí incluídos os vereadores de sua base aliada, o prefeito Nelsinho Trad e seu vice, Edil Albuquerque, candidato a suplente de Zauith, no que seria o movimento embrionário de uma nova força política estadual, fazendo prevalecer o eixo Dourados-Campo Grande. Isto, quando Puccinelli empurrava o pêndulo do poder na direção de Três Lagoas, trazendo sua prefeita Simone Tebet para a condição de stand by como alternativa de sua própria sucessão, em detrimento de Nelsinho. Como consequência desta primeira mexida, a vitória de Zauith sobre Moka naquela eleição, em Campo Grande, tudo devidamente anotado na caderneta de Puccinelli. Atentando-se, também, para o fato de que nos dois anos em que ficará no sereno o numero um da linha sucessória da dinastia Trad terá tempo de sobra para, se for o caso, acomodar-se num partido mais à esquerda, como fez Zauith, ficando mais próximo do que já está da ex-fada madrinha de Puccinelli.

Neste intrincado jogo de possibilidades, a propósito do poder de mando dos Trad, importante salientar que Nelsão, o velho, deputado, amigo e companheiro de Parlamento de Michel Temer, não está mais na área para interceder junto ao agora vice-presidente da República diante dos assanhamentos e das recaídas de Puccinelli por Delcídio do Amaral.

Como se vê, tirante 1982, quando se apresentou com José Elias Moreira como candidato a governador, nunca antes na história Dourados pode ter um papel tão estratégico numa sucessão estadual, já que, desde já, o posicionamento de seu prefeito, na condição de liderança estadual, pode ser decisivo. Como paga pelo apoio à sua reeleição, evidentemente que Zauith vai de Puccinelli para senador, mas ficando a incógnita quanto ao apoio que dará ao candidato a governador, com as forças de esquerdas podendo se enfileirar com Nelsinho Trad, contra um petista com cara e bico de tucano, que se não tiver o apoio explícito, pode contar com a simpatia e quem sabe até com a torcida do governador. 

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