03/04/2012 – 10:04
A estrutura do ex-deputado Roberto Razuk, à frente a vereadora Délia (foto, única incólume da Uragano), por trás a máquina da Assembleia Legislativa, presidida pelo primo Jerson Domingos, mais o discretíssimo apoio do governador André Puccinelli versus a azeitada máquina da prefeitura a serviço de Antônio Nogueira, até aqui, oficialmente, secretário de Planejamento, mas, informalmente, de Obras. Para dar coerência ao discurso peemedebista, o bate-chapa convencional previsto é para decidir quem sai candidato a prefeito, mas, no fundo, no fundo, tanto Délia como Nogueira sonhando com a cadeira da petista Dinaci Ranzi como vice, para um eventual segundo mandato de Murilo Zauith.
Mas e os deputados Geraldo Resende e Marçal Filho, até aqui tidos como os mais fortes concorrentes peemedebistas? Também por uma questão de coerência, segundo determinação da direção nacional do PMDB, estão fora do páreo. Pelo menos é a informação dada por uma das mais emblemáticas figuras do partido, Pedro Simon, em entrevista a Veja desta semana. Segundo o franciscano senador gaúcho, em seu mais sincero e contundente jeito de ser, “um bando (sic) de gente já não vai poder ser candidato” por causa da maldita ficha suja. E a informação que mais interessa ao eleitor douradense, com todas as letras: “O PMDB, por exemplo, está recomendando aos diretórios evitar indicar nomes com problemas com a Justiça”. Segundo ele, “é o primeiro passo para terminar com a maior maldição do Brasil, que é a impunidade”, acrescentando que “a maldita diferença entre nós e o mundo civilizado é que, quando o cara é condenado, aqui ele recorre à segunda, terceira, quarta, quinta, sexta instâncias, até o Supremo” e “neste espaço de tempo o crime prescreve e ninguém é condenado”.
Interessante notar que Simon fala em candidatos “com problemas com a Justiça”, como é o caso, independentemente de culpados ou não, de Geraldo Resende e Marçal Filho, cujos processos por suspeita de envolvimento na Uragano, por conta dos famigerados retornos, começam a correr, pelo foro privilegiado que têm, justamente onde termina a tramitação que leva à impunidade a que o senador se refere, ou seja, no mesmo STF.
Definida a questão da opção pela candidatura majoritária de Délia Razuk, já que Nogueira está mais para vice do até aqui patrão Zauith, restará aos ditos autênticos ou históricos peemedebistas decidirem que rumo tomar nas urnas em outubro. Marçal Filho, que, além de enroscado com a Justiça, já havia decido não disputar por problemas de saúde, deverá recomendar (e ai dele se assim não o fizer) o nome de sua companheira Keliana Fernandes, se é que a moça não está blefando também, atrás de algum retorno “murilista”. A situação dos “geraldistas” é mais difícil, pela forma radical como o deputado conduziu a coisa, devendo o apoio ser negociado de forma pulverizada entre os candidatos. Pior, não restando a Resende nem mesmo a condição de fiel da balança, pois que, no rescaldo da Uragano e já posando como a grande vítima da mais preconceituosa trama política já urdida na terra de seu Marcelino, Ari Valdecir Artuzi mais uma vez sai na frente. Quem dá mais?
