16/04/2012 – 10:04
Anita Tetslaff (arquivo)
O então prefeito Valdecir e o senador Delcídio, em “conferências”, na prefeitura de Dourados.
Mesmo tendo o cordão umbilical enterrado na maior planície alagada do mundo e depois de eleger como domicílio (apenas o eleitoral é do MS) a paradisíaca Florianópolis, cercada de água salgada por todos os lados, Delcídio do Amaral Gomes, não bastasse o trauma de furacões, parece tremer, a ponto de morrer de medo, também, diante de Cachoeiras, como a que recentemente, por seu efeito pororoca e pela extensão da correnteza inundou o Planalto Central, ameaçando transbordar para o restante do Centro Oeste brasileiro. Pelo menos é o que se pode deduzir de seu alerta (como se preciso fosse) à presidente Dilma Rousseff, que rendeu manchete na página nobre do Correio do Estado deste domingo, de que “é brincar com fogo estimular CPI”. No caso, CPI para investigar Carlinhos Cachoeira, o contraventor cuja prisão fez calar (não por coincidência às vésperas do início da votação do mensalão petista, no STF) seu colega Demóstenes Torres, até então uma das mais eloquentes vozes da oposição no Congresso Nacional.
Ainda bem que a saracura, tão estridentemente assanhada nesses últimos tempos, talvez em protesto pela escassez das águas do cada vez mais assoreado Laranja Doce, mas entendendo uma barbaridade de pântanos, sobre os quais gosta de saçaricar, sempre ela! tem uma luz para os leitores do Blog. Ora, se Delcídio do Amaral, candidatíssimo ao governo do Estado, em vez de ser o primeiro a sair em defesa da uma rigorosa investigação para se tentar pôr fim a tantas patifarias tenta jogá-las para debaixo do tapete é porque aí tem. E, assim como os companheiros – Lula da Silva à frente – em nível federal armam tamanha estratégia para tentar mostrar que o mensalão não teria passado de uma farsa, e que a turma da “direita” também mete mão, de sua parte, com o “alerta” à presidenta, Delcídio nada mais faz do que ir, desde já, providenciando uma vacina para que não morram infectados pelos efeitos de tanto lodo alguns de seus companheiros mais próximos, começando pelo eventual substituto no salão azul, Pedro Chaves, cuja família, no Mato Grosso do Sul, detém o monopólio de negócios como os de Cachoeira e que estão levando Demóstenes Torres à derrocada.
Tirante os interesses pessoais e os projetos políticos de Delcídio e fosse o Brasil um país minimamente sério, o alerta, por si só, diante de tanto descalabro, de que “é brincar com fogo estimular CPI”, não seria motivo mais que suficiente para que a Procuradoria Geral da República aproveitasse a deixa e fizesse o que já deveria ter feito há tempo, ou seja, mandar o senador corumbaense fazer companhia aos colegas deputados federais pemedebistas Geraldo Resende e Marçal Filho no STF, para que seja também investigado como integrante da quadrilha do Valdecir? A menos que Delcídio – “que não tem nada de bonzinho só porque se contenta com dois ou cinco por cento” dos retornos, como informa o ex-secretário de Obra do petista Laerte Tetila, Hamilton Torraca, que o colocou no olho do furacão – não tenha sido incluído, ainda, na lista dos novos réus da Uragano simplesmente pelo fato de ser um dos expoentes da turma de Zé Dirceu. Aí, tudo bem. Quem mandou Resende e Marçal não apoiarem a fada madrinha na eleição presidencial.
