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E agora José?

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17/04/2012 – 09:04

Foto: Anita Tetslaff

Depois de mais de uma semana aparecendo em rede nacional à frente de Wilson Barbosa Martins durante a “marcha da apuração” dos votos para governador, em 1982, mas já sabendo ter vencido em Dourados com apenas cem votos de frente, o que era considerado uma acachapante derrota, frustrado, José Elias Moreira esperou o sol se pôr, passou na casa de Júlio Marques de Almeida, em companhia de quem pegou a Weimar Torres (para evitar cruzar com eleitores peemedebistas já em festa na Marcelino Pires), iniciando aquela que seria sua mais longa viagem à Campo Grande, onde, numa média de três por um, a eleição seria decidida em favor do advogado nascido em Rio Brilhante, mas adotado pela cidade morena como seu prefeito e deputado federal. Num melancólico desabafo prometeu ao fiel escudeiro Julinho transferir o título para a capital, pois lá o eleitor sabia reconhecer o trabalho de seus administradores.

O tempo passou, a mágoa também, e, numa mea-culpa com o melhor de seus prefeitos, os eleitores douradenses brindaram Zé Elias com dois mandatos de deputado federal, mas, depois, em igual número de tentativas negando-se a reconduzir o filho de seu Quinteto à prefeitura. Acabrunhado, ele que já havia batido com a cara na porta do velho Casarão da João Rosa Góes numa primeira tentativa, contra o então todo poderoso João Totó Câmara, lá no início da carreira, começou a atribuir seus seguidos insucessos eleitorais à fidelidade canina que dispensava ao chefe Pedro Pedrossian que, além de não ser muito bem visto pelos douradenses começou a flertar politicamente com Braz Melo, cria política de Totó Câmara, seu maior adversário político. Escolheu Zeca do PT como seu novo padrinho político, de quem, como recompensa, ganhou o cargo de Secretário Estadual de Meio Ambiente, com o qual encerraria sua trajetória pública. Por isso, num de seus arroubos, não faz muito tempo, durante uma visita do novo chefe à sua residência (foto), garantiu que se um dia Zeca do PT resolvesse sair candidato a vereador em Porto Murtinho para lá transferiria seu título como forma de reconhecimento à confiança nele depositada e ao companheirismo.

Claro que, sem desmerecimento aos murtinhenses e, diferentemente da maioria dos políticos de Dourados, cujas lentes insistem em não alcançar além do Cachoeirinha e do Parque das Nações, depois de passar pela Assembleia Legislativa e duas vezes pelo governo do Estado Zeca do PT dificilmente daria tão grande passo atrás. Para frustração de Zé Elias, que possui propriedades em Porto Murtinho e, uma vez lá eleitor, até poderia conseguir o que lhe foi negado três vezes pelos eleitores da terra de seu Marcelino, mesmo conhecendo sua enorme capacidade administrativa. Como desgraça pouca é bobagem, Zeca do PT acaba de decidir sair candidato a vereador, mas em Campo Grande. Seria o caso de, na linha do “cuidado com o que desejas, pois pode tornar-se realidade”, perguntar: e agora José? Vai cumprir a promessa de transferir o título para a capital?

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