27/04/2012 – 14:04
Foto/arquivo
Valdecir, ignorando estar tudo tão positivo, e Lula, comprometendo-se pela ineficiência da Abin
Lula da Silva até que se esforçou para dar um caráter oficial à sua visita a Dourados em 2010 supostamente para inaugurar a UFGD, que já formava sua primeira turma de medicina, da mesma forma a duplicação da confluência da BR 163 com a 463, por isso mesmo persistindo até hoje a dúvida quanto ao verdadeiro motivo da repentina esticada até a terra de seu Marcelino às vésperas da prisão do prefeito Valdecir, com quem posou para fotos sem constrangimentos (será que seu serviço de informação não sabia o que estava para acontecer?). É que pela inexpressividade dos votos do Mato Grosso do Sul no contexto nacional também não colava a ideia pura e simples de uma alavancada na campanha de Dilma Rousseff e do parceiro de biritas Zeca do PT.
O mistério da visita, acentuado pelo risco que Lula corria de pousar e não conseguir decolar com seu baita Airbus num aeroporto cuja pista fora concebida apenas para teco-tecos poderia ter sido desfeito se pelo menos um dos representantes de Dourados no Congresso tivesse sido distinguido com uma caroninha básica, como é de praxe nessas ocasiões e, assim, senão participando pelo menos auscultando sobre as reuniões durante esse tipo de voo, quando o presidente recebe informações sobre as características da região a ser visitada e de seus personagens.
A menos que Lula não tenha dado carona aos deputados Geraldo Resende e Marçal Filho porque os motivos que o traziam à cidade dos peemedebistas transcendiam aos das emendas parlamentares que suscitam tantos retornos, como, por exemplo, os incentivos de seu governo aos usineiros amigos instalados na região ou as perspectivas de compra de grandes fazendas para a consolidação de seu projeto de reforma agrária, neste caso, assunto de interesse exclusivo da causa petista.
Talvez por isso, no chamado escalão precursor desta visita, do alto de sua condição de eminência parda da República de Garanhuns, quem andou por Dourados foi o ex-ministro José Dirceu, usando o mesmo aeroporto como base para algumas incursões às terras do grupo Paquetá, encalacrado em dívidas astronômicas junto ao Banco Central desde a crise dos derivativos no final da década de 1990 e tentando se aproveitar da obsessão do governo Lula pela reforma agrária para matar dois coelhos com uma paulada só.
Assim, o acusado de chefiar o mensalão petista entabulava com o grupo gaúcho empurrar goela abaixo do INCRA 29 mil hectares da fazenda Cedro, na Cabeceira do Apa; outras 12 mil da Paquetá, propriamente dita, à margem da 163, em Ponta Porã, e mais 18 mil da fazenda Dom Arlindo, em Naviraí. Total do pacote: coisa aí de R$ 600 milhões. Como a dívida era em torno de R$ 400 milhões, a sobra de R$ 200 milhões, levando-se em conta o nível das partes envolvidas, provavelmente era para o famoso fifty-fifty.
Estava tudo acertadinho, inclusive com a turma do MST indo na frente montando os barracos de lona preta à beira das rodovias, cenário perfeito e indispensável para se criar o clima de invasão para justificar as desapropriações. O negócio só não saiu, à época, justamente porque era véspera da eleição da companheira Dilma e Lula, já ressabiado pela repercussão de outros negócios na região, envolvendo até o mais empreendedor de seus filhos, o Lulinha, pulou fora, ainda no retorno de sua viagem a Dourados.
Bons tempos aqueles em que um austero e imaculado Congresso Nacional cassava o mandato de um presidente da República ao menor sinal de retorno, como aquele envolvendo a famosa perua Elba (que não é a Ramalho) ou quando deputados, senadores e prefeitos se contentavam com o que sobrava do “cascalho” de obras de saneamento básico como as de canalização do córrego rego d’água (o famoso xodozinho de Braz Melo) em Dourados, em cuja margem, ironicamente, seria erguido o prédio do Ministério Público Estadual. Ou mesmo do início da era do mensalão, enquanto se aparelhava, ainda, o Estado para que não se repetissem os erros que levaram Collor de Melo ao impeachment, com a companheirada dando-se por satisfeita com retornos como os de Duda Mendonça, o publicitário das ideias iluminadas que, pela subjetividade criativa, geravam peças publicitárias pra lá de lucrativas, a ponto até de abastecer robustas contas em paraísos fiscais.
