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quarta-feira, julho 1, 2026

Um candidato a vice esperando pelo titular

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02/05/2012 – 14:05

Ele tem o perfil que todo candidato a prefeito busca para seu companheiro de chapa: emergente do empresariado, novo, falante e envolvido com os movimentos sociais. E, mais que importante, na Dourados pós-Uragano (o furacão que dizimou sua emergente classe política por corrupção), garante ter a ficha limpa. Nascido na Vila União, coração da Colônia Agrícola, não por acaso filiado ao PDT, partido que aloja os verdadeiros trabalhistas seguidores de Getúlio Vargas, Nicácio Cantero (foto) está colocando seu nome à disposição de Murilo Zauith, de Geraldo Resende ou de quem quer que venha a se habilitar com chances de ganhar as próximas eleições para prefeitura.

Mas por que vice e não prefeito, ou vereador? Exibindo outra qualidade importante nesses tempos de tanta arrogância e prepotência política Cantero diz que quer aprender a fazer a coisa certa e, assim, melhor entrar como coadjuvante. Mas garante, antes que comecem a dizer que não pensa grande, e aí já falando como bom político, avisando que tem projetos para a cidade e para o Estado, apontando para uma estrela que diz seguir há muito tempo, dando a entender tratar-se de uma das 24 que compõem a constelação “Guaicurus”, para quem não sabe o nome do prédio da Assembleia Legislativa.

Como empresário de visão, que, como gosta de repetir, “saiu do nada ali da Colônia” para em menos de vinte anos se transformar no número um entre os contribuintes com o fisco estadual “num ramo empresarial só de gigantes”, Cantero até que não está errado em se candidatar, de cara, a vice-prefeito. Só não pode, nesta ansiedade de querer aprender a fazer a coisa certa, cair em tentação, como Carlinhos Cantor, o vice que hoje poderia estar à frente da segunda maior prefeitura do Estado, mas que capitulou junto com o titular por não seguir os princípios bíblicos dos quais tanto se orgulha, justamente em sua mais elementar metáfora, ao acompanhar o Valdecir no banquete da maçã proibida da corrupção.

Aliás, desde que Totó Câmara, em 1976, já às vésperas da criação do Mato Grosso do Sul, tentou emplacar Lauro Machado como sucessor, Cantor foi o vice que mais se deu mal. Na sequência, o vice José Cerveira virou prefeito quando, em 1982, o titular José Elias Moreira desincompatibilizou-se para disputar o governo do Estado. O vice de Luiz Antônio, George Takimoto, virou vice-governador do Estado e depois deputado federal, armazenando um pouquinho de prestígio para uma merecida aposentadoria, agora, na Assembleia Legislativa; o vice de Braz Melo no primeiro mandato, Sebastião Nogueira, também virou deputado estadual, condição em que estava Valdenir Machado, o vice do segundo mandato. Depois da vice Lori, “uma mulher, uma guerreira”, ter passado em brancas nuvens com Humberto Teixeira, o mesmo acontecendo com o primeiro vice de Tetila, o discreto socialista Dr. Arruda, para alimentar os sonhos de Cantero de que esse negócio de vice não é tão ruim assim, aí está seu colega rotariano e segundo vice de Tetila, Albino Mendes, embora com uma providencial ajudinha dos uraganos, ressuscitadinho da silva, de volta à Câmara Municipal e, de novo, sonhando com a vice.

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