03/05/2012 – 11:05
Na imagem que correu o mundo, o Valdecir conta o dinheiro que depois enterraria em garrafas pet
Beira a cinquenta o número de ações apenas na 16ª. Promotoria de Justiça de Justiça de Dourados, a que cuida do patrimônio público, como parte da herança judicial da era que antecede a Owari e desemboca na Uragano, as duas maiores operações da Polícia Federal atingindo políticos em Mato Grosso do Sul e que podem mudar o panorama não só das próximas eleições municipais como a própria história política e administrativa da terra de seu Marcelino. Detalhe: nesses tempos em que tudo costuma acabar em pizza em terras brasilis o promotor Luiz Gustavo Camacho Terçariol, que promete uma devassa inédita na vida de políticos e empresários corruptos, não é professor na Unigran, a Universidade de propriedade da família Zauith que costuma empregar integrantes do judiciário, alguns deles suspeitos de agir sob forte influência do agora prefeito Murilo, por muitos visto como um dos mentores da Uragano.
Como não poderia deixar de ser, o ex-prefeito Ari Valdecir Artuzi é o grande protagonista deste enredo, abrindo o script como réu numa ação de improbidade administrativa porque, quando deputado, armado com um pé-de-cabra, em companhia do vereador Walter Hora, resolveu destruir as ciclo-faixas da administração petista de Laerte Tetila, fechando a história, por ter ido com muita sede ao pote, como o primeiro prefeito douradense a ir para a cadeia e por isso obrigado a renunciar. Entre as muitas ações em que é réu, puxa a fila da Uragano, a operação que estancou a farra, com emblemáticos sessenta e nove parceiros.
Na esteira de tantas presepadas gente até então insuspeita e que acabou no xilindró, como o pastor presbiteriano Marco Aurélio Areias, diretor do Hospital Evangélico (até então visto como filantrópico, mas criminosamente desviando o sagrado dinheiro da saúde para contas de vereadores corruptos); a gerente de banco promovida a caixa do Valdecir, Inês Boschetti Medeiros; políticos de carreira promissora, como Sidlei Alves e Marcelo Barros, além de empresários poderosos, todos já respondendo a processos criminais e agora tendo de enfrentar as ações cíveis para o devido, neste caso, mais que justo retorno do dinheiro roubado aos cofres públicos.
A ação cível contra os uraganos, a mais robusta delas, está parada na 6ª. Vara do Fórum de Dourados, apenas na dependência do depoimento do ex-todo-poderoso e descuidado secretário de governo do Valdecir, Darci Caldo, inicialmente o encarregado dos repasses “por fora” aos vereadores, flagrado durante a Owari com um saco de dinheiro debaixo do colchão.
Além de tentar reaver a grana da Uragano (segundo a rádio peão enterrada em garrafas pet nos fundos da fazenda do Valdecir), as ações do promotor Terçariol atingem em cheio a Câmara Municipal, na medida em que deve escarafunchar a vida não só dos nobres edis presos e que renunciaram ou tiveram os mandatos cassados, como também muitos de seus substitutos e candidatos a reeleição, beneficiados pelo famigerado mensalinho, passando por dirigentes partidários que aproveitaram a orgia transformando a prefeitura e a própria câmara em cabide de empregos, pegando ex-prefeitos, como Humberto Teixeira e Laerte Tetila e alguns de seus principais auxiliares, até chegar ao atual e em seus principais concorrentes no próximo pleito. Sim, porque com os deputados federais peemedebistas Geraldo Resende e Marçal Filho encalacrados com a história dos retornos e na iminência de ser processados pelo Supremo Tribunal Federal, Murilo Zauith, que seria o último dos moicanos, começa também a provar do mesmo veneno, já que insiste em não notar o conteúdo de certas peças publicitárias oficiais ou a dar guarida a empresas montadas lá atrás “apenas para dar o tombo na prefeitura”, sem contar os escândalos para estourar, já, já, principalmente nos projetos educacionais, esportivos e culturais, setores onde há fortes indícios de que, se não pior, continua tudo como dantes no quartel de Abrantes.
