23/05/2012 – 16:05
Foto: Campograndenews
Olhos nos olhos… de um namoro que era pra ser às escondidas
Logo que André Puccinelli assumiu o governo cruzei com Nelsinho Trad chispando de seu gabinete, onde acabara de passar por uma baita reprimenda por causa de alguma coisa que não estava caminhando a contento na periferia de Campo Grande. Diante desse jeitão pouco convencional do governador, um assessor ponderava que aquilo não acabaria bem, pois que o prefeito, eleito em detrimento de Edson Girotto, desde então o preferido de André, começava a ganhar pelos – uma alusão à emancipação política do número um dos herdeiros de Nelsão Trad.
Depois de oito anos como prefeito de Campo Grande, Puccinelli começava a mil aquele por todos tão esperado primeiro mandato, talvez por isso esquecendo-se de algumas perfumarias, como, por exemplo, mandar podar o pé de Chico Magro que fazia sombra ao gabinete da vice-governadoria e, com isso, deixando Murilo Zauith ainda mais madorrento. Dessa ansiedade por colocar logo o Estado nos trilhos surgiria um problema de difícil solução, pois o ócio de Zauith aliado ao estado de espírito e às ambições de Nelsinho estabeleceria um novo eixo político entre a capital e o interior. Mas como tem olhos de Lince, André sacou a disciplinada Simone Tebet da prefeitura de Três Lagoas para, na posição de stand by, acabar com aquele namorico sob suas barbas. Como se não bastasse, aproveitando o clima de romantismo, sempre muito propício a traições, e depois da malsucedida tentativa de estuprar um ministro do governo petista, engatou, ele próprio, um namoro, que era para ser escondido, com Delcídio do Amaral.
O problema é que quando resolveu acabar com a roda de tereré à sombra do Chico Magro, com a desculpa de transformar em realidade o sonho dourado de Murilo de virar Senador, mas colocando Valdemir Moka em seu caminho, André acabou jogando o ainda vice também no colo do mesmo Delcídio. Isso no fervo da Uragano, em decorrência do que aconteceria a inusitada aliança de Zauith com os arquirrivais petistas, mas para se tornar plenipotenciário na terra de seu Marcelino o aí já ex-vice governador precisando abrir mão de sua condição democrata para alinhar-se a um partido mais à esquerda, da base governista em nível federal. Olha só o tamanho da encrenca. E tudo combinado, claro, com o novo aliado.
Assim, num cenário em que André Puccinelli usa potência máxima de sua máquina política para tentar fazer o maior número de prefeitos peemedebistas ou aliados no interior para, com o reflexo disso, tentar emplacar Edson Girotto já no primeiro turno na capital, o que daria ao ungido credenciais para disputar sua sucessão em 2014, sobrou para o pupilo Marçal Filho a condição de boi de piranha. É que além da tão sonhada eleição de Girotto para a prefeitura e, já na sequência, para o governo do Estado, a travessia do italiano até o pé da rampa do Senado pode depender das braçadas de Murilo Zauith, que não poderia estar na tropa do ponteiro pantaneiro Delcídio do Amaral. Isto, prevalecendo o que seria o plano A de André, com Girotto, o B, que seria com Simone na cabeça ou o C, só então com Nelsinho Trad. Exatamente nesta ordem, a “jerônima” estratégia, não se descartando um plano um plano E, com o apoio do governador ao próprio Delcídio, para só então se descortinar tudo o que de tão esquisito vem acontecendo na política estadual desde 2010, com vistas a 2014, mas necessariamente passando por Dourados em 2012.
