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quarta-feira, julho 1, 2026

Crônica de uma traição anunciada

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25/05/2012 – 12:05

Um dia depois de Geraldo Resende (foto) ter sugerido o voto aberto na convenção peemedebista que apontará os rumos do partido nas próximas eleições André Puccinelli vem a Dourados e promete retornar à cidade durante a campanha eleitoral “caso” Marçal Filho confirme a candidatura. Nem bem os releases da visita do governador começavam cair nas caixas de mensagens das redações de subordinados e insubordinados da imprensa, eis que nelas também podia se abrir uma “Carta Aberta” do vice-presidente do PMDB local, Antônio Nogueira, espinafrando o federal antecipadamente defenestrado do processo em consequência do tiro pela culatra que foi a pesquisa do Ibope por ele sugerida.

Na chorosa missiva, Nogueira, que também se colocava como pré-candidato, desde que o partido não se alinhasse com o então patrão Murilo Zauith, lembra as idas e vindas partidárias de Resende desde a primeira malsucedida eleição em que participou, para vereador, “mudanças de lado”, como faz questão de frisar, “sempre de forma oportunista e com a utilização de métodos desagregadores, deixando companheiros ao longo do caminho e esquecendo-se de formar um grupo político”. Por isso,continua, “tornando-se, como se diz nos meios políticos, INCONFIÁVEL”. Quem escreve que Resende é inconfiável, assim com maiúsculas, é o engenheiro Antônio Nogueira, o Blog não tem nada com isso. Mais, para ele o deputado “faz-se suportar” entre os maiorais da política, “agrega-se a eles e deles tira o seu sustento (de todas as maneiras)”. Será que esse “de todas as maneiras” colocado, assim, entre parênteses, é o que estou pensando?

Depois de descrever o companheiro de partido como menino birrento que quando quer uma coisa (como, por exemplo, essa obsessão por ser prefeito) esperneia, grita, chia e até chantageia, Nogueira atribui a Geraldo Resende a responsabilidade por toda a desgraça que se abateu sobre Dourados e que deu origem à operação Uragano. Primeiro, por ter “fugido do pau” diante do fenômeno eleitoral Ari Artuzi; depois, “na ânsia de ver resultados (em nenhum momento usou a palavra retorno) indo atrás de projetos, orçamentos, contatando e pressionando empreiteiros”, para, em tom grave, acusar o parlamentar de “interferir psicologicamente, via imprensa, nas licitações, causando verdadeiro pandemônio na execução das obras”, enumerando algumas delas, pra lá de suspeitas, como as da malfadada reforma da Praça Antônio João (esqueceu-se da obra mais reluzente de Resende, a Vila Olímpica, verdadeiro Elefante Branco do Jaguapiru).

O tom da crônica de uma “traição” anunciada é dado por Nogueira quando ele se contrapõe ao que considera agora como incoerente proposta de voto aberto de Geraldo Resende em favor de candidatura própria, anunciando “existir dentro do PMDB alguns companheiros, que merecem ser respeitados, e querem manter a coligação com o PSB de Murilo”, já que um ano atrás o deputado foi o primeiro a defender a coligação com o atual prefeito e o consequente apoio à reeleição.

A carta aberta faz lembrar os diálogos dos tempos em que os vereadores de Dourados iam para o plenário armados e, mesmo diante das formalidades regimentais, não vacilavam quando tinham que mandar um adversário para a “pqp”. Depois de usar ao longo (e põe longo nisso) do texto o formal “Vossa Excelência”, mesmo quando se mostra ofendido, como quando diz que “vossa voz cacarejando vomita [coisas como] processo golpista”, uma referência àqueles que defendem a coligação com Zauith, Nogueira encerra com um seco “Passar bem”. Para quem conhece seu jeitão “deixa-que-eu-chuto”, o mesmo significado das três letrinhas entre aspas aqui mesmo neste parágrafo.

Talvez tenha fugido à perspicácia sempre aguçada de Antônio Nogueira uma abordagem mais profunda quanto aos reais motivos da inusitada proposta de voto aberto, já que as convenções partidárias são regidas por voto secreto. Geraldo Resende, como se vê, exatamente por essa condição – de traidor – tão fortemente realçada na carta de Nogueira, está em busca de uma vacina, ou álibi, para lá na frente não ser apontado como o Judas desta história.

PS – A mala preta nem foi aberta e já se contabilizam vinte e um (dos quarenta e cinco) votos pró Murilo na convenção peemedebista.

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