06/06/2012 – 11:06
A presença de Carlos Fábio Selhorst dos Santos (foto) no secretariado do prefeito Murilo Zauith dá a exata dimensão da importância dos partidos nanicos no contexto político pós-uragânico, podendo ser comparada à piada do argentino, o qual se compra pelo preço que ele vale e se vende pelo tanto que ele acha que vale. Ou seja, Carlos Fábio está, ainda, secretário de Cultura muito mais como paga pela cessão dos direitos da melodia de seu único sucesso – “Meu Mato Grosso do Sul” -, adaptada à letra do jingle da campanha de senador de Zauith do que por sua liderança como presidente do Partido Verde, cujo estatuto muito provavelmente o cantor nem deve ter tido tempo de ler, pelo ritmo frenético como vem tentando ombrear as questões culturais da terra de seu Marcelino.
Quatro anos atrás, nesta mesma fase da campanha, em que os nanicos costumam se alvoroçar por e$paço, o mesmo PV, à época comandado por um tal Peninha, foi o partido que mais deu trabalho para a formação da coligação encabeçada por Ari Artuzi. É que na ânsia de virar prefeito, mesmo diante das projeções das pesquisas que lhe davam confortável dianteira, pois que já vivia seus dias de fenômeno eleitoral, Valdecir entendia estratégica a adesão de quanto mais partidos melhor, isto, considerando-se o auge da era das vacas gordas, com dinheiro jorrando para as campanhas, principalmente da Assembleia Legislativa, via Ari Rigo.
Não bastassem os estragos da Uragano, provocados pelo mesmo Rigo, nestes novos tempos em que a Lei de Responsabilidade Fiscal já havia colocado um freio na orgia principalmente de prefeitos candidatos à reeleição, veio a Lei da Ficha Limpa, revigorando poderes até como os do Tribunal de Contas, o mais político e, até então, o mais complacente de todos. Com isso, somando-se a pertinácia do Ministério Público e da Polícia Federal, impondo-se mecanismos que pelo menos momentaneamente inibem a distribuição de dinheiro público a rodo a siglas que passam ao largo de questões programáticas e ideológicas, funcionando apenas como meras máquinas arrecadadoras para atender aos luxos e caprichos de seus dirigentes.
A qualificação de nanico, que muitos rejeitam, está associada mais ao peso eleitoral destas siglas, algumas que até já fizeram história, do que ao tamanho do espaço no rádio e na TV, o grande, quando não o único trunfo desses ditos dirigentes nesta fase de negociações. No caso de Dourados a depreciação destas siglas é maior ainda diante da pouca ou quase nula influência da propaganda política veiculada apenas na TV sem audiência do pastor RR Soares.
Assim, de bem com André Puccinelli e por isso precisando apenas monitorar o PMDB (mais Keliana Fernandes do que, propriamente, Marçal Filho) à distância, com a garantia da indissolubilidade do casamento conforme as regras canônicas professadas por petistas como Laerte Tetila, com os demos dominado$, PDT, PSDB, PR e PSL esvaziados, a reeleição de Murilo Zauith independe da participação dos nanicos. Como diz Galvão Bueno, é só levar a campanha na ponta dos dedos, para não correr o risco de, em alguma curva dos Canaãs da vida, cruzar com alguma assombração sob o manto de algum Partido de Mobilização Nacional, por conta de pendências que porventura devam ser resolvidas ainda nesta sua passagem terrena.
