11/06/2012 – 15:06
Por que André Puccinelli liberaria seu PMDB para apoiar Álvaro Soares, em Ponta Porã, contra Hélio Peluffo Filho, o candidato apoiado pelo companheiro Flávio Kayatt? Tudo bem que como profissional da política e, como tal, trabalhando em cima de números de pesquisas, o governador possa estar antevendo a vitória do republicano sobre o tucano ponta-poranense, mas a estratégica de partir para o enfrentamento com um prefeito com quem até aqui tem parceria pra lá de substancial, mais que oportunismo eleitoral, pode ter a ver com as movimentações do tucano-mor no Estado, deputado Reinaldo Azambuja (foto), nem bem saído dos limites da política da terra do Coronel Marcondes e já querendo se aboletar na cadeira por ele preparada para o pupilo Edson Girotto, na prefeitura de Campo Grande.
Percebendo, de antemão, que seu discurso televisivo pra lá de chocho com criticas aos feitos do PMDB em Campo Grande não levam a lugar nenhum, Reinaldo Azambuja resolveu atacar, e atacar pesado, aproveitando-se da onda da CPI de Carlinhos Cachoeira para tentar minar a candidatura de Edson Girotto, por suas notórias ligações com empreiteiros do Mato Grosso do Sul e, de tabela, tentando atingir o governador. Daí, as notícias sobre a convocação de André Puccinelli para dar explicações sobre as obras da enrolada Delta Engenharia em Mato Grosso do Sul, o que é visto como coisa de Azambuja, empreitada para a qual contaria com a providencial ajuda do senador mineiro e companheiro tucano, Aécio Neves.
Pelas informações vazadas num renomado escritório paulistano de advocacia Reinaldo Azambuja não estaria só por trás da provável ida do governador de Mato Grosso do Sul à CPI do Cachoeira, mas também trabalhando freneticamente nos bastidores do Congresso para reunir farta documentação a ser explorada durante o horário eleitoral no rádio e na TV, durante a eleição municipal. E, aí, a coisa passando a interessar não apenas a Álvaro Soares, mas também a Murilo Zauith, já que o provável adversário do prefeito douradense, Marçal Filho, também partidário do governador, seria embrulhado no mesmo pacote, não só porque está na iminência de virar réu no Supremo Tribunal Federal por conta de denúncias dos famigerados retornos, mas como parte de planos para o fortalecimento do PSDB nos próximos embates eleitorais.
A propósito, se Reinaldo Azambuja tem Aécio Neves para mexer os pauzinhos na CPI, Marçal Filho tem ninguém mais ninguém menos que Michel Temer para tentar evitar algum desastre antes das eleições, no STF, Corte em que o vice da fada madrinha de André Puccinelli tem um pouco mais de prestígio que o desastrado Lula da Silva. Tanto que sua anunciada vinda para as convenções peemedebistas no Estado estaria condicionada à confirmação, antes, de um cafezinho, como aquele – e como os mesmos objtivos – que Lula tentou tomar no mesmo Supremo.
Da mesma forma como as coisas rumo a 2014 começam a se alinhar por Ponta Porã, com o apoio do PMDB de André Puccinelli ao governista PR de Álvaro Soares, em Dourados, uma vez confirmada a candidatura peemedebista de Marçal Filho, reeleito ou não Murilo Zauith ficaria mais à vontade em seu PSB, cada vez mais se credenciando para assumir, junto a Dilma Rousseff, o lugar que, por coincidência, hoje, é do mesmo PMDB de Marçal, de André e de Temer. Quem é que se arrisca, pois, a dizer que Deus não escreve certo por linhas tortas?
