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quarta-feira, julho 1, 2026

As apostas para a mais difícil das eleições

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18/06/2012 – 11:06

Foto/O Progresso

Ferrinho e o pimpolho Maurício a tiracolo 

Inquirindo outro dia o prefeito Murilo Zauith sobre as chances de reeleição dos atuais vereadores, não sei se pela presença na prosa do presidente da edilidade, Idenor Machado, ele não titubeou: “Vai se reeleger todo mundo”. E, apontando para o número de novas vagas a ser preenchidas, pediu-me que citasse sete nomes em condições de chegar lá. Uma semana depois, na prova dos nove com Valdecir Artuzi, uma discrepância: ele acha que “no pau da goiaba” apenas meia dúzia dos doze (a grande maioria suplentes) se reelege. E olha que, por sua sintonia fina com o povão, pelo menos neste assunto o ex-prefeito continua autoridade. Tanto que, agora descido das tamancas, e, nivelando-se àqueles com os quais pretende concorrer, calcula que seu potencial de votos, para esta que é mais difícil de todas as eleições, fica no limite do número que cada coligação precisará para fazer o primeiro de seus representantes, ou seja, coisa aí em torno de seis mil votos.

As previsões do prefeito e de seu antecessor me remeteram a uma longa conversa com o ex-presidente da Câmara, o inoxidável Archimedes Lemes Soares, outra autoridade nesse tipo de análise. Impaciente por sua condição de carona, comigo, de Campo Grande pra cá, e esgotadas as fofocas do dia, Ferrinho começou a fazer contas e mais contas para provar que eu não teria errado se, em resposta ao questionamento de Zauith, tivesse colocado pelo menos o nome de seu caçula, Maurício Lemes, como um dos prováveis eleitos. Numa previsão “pessimista” ele atribui ao filho, por tudo que anda aprontando nas mídias sociais e no âmbito cultural (somando-se aí os votos dos evangélicos com os quais congrega), um potencial de quinhentos votos, multiplicados por dois, da herança política do pai e do avô, Renato, também presidente da Câmara, e outros quinhentos que o sogrão, Beto Martins, secretário municipal de serviços urbanos, vai ter de se virar para arrumar. O resto, ensina, é na sola do sapato, na chegada, até a boca de urna, onde entra o pulo do gato. Ou melhor, do$ gato$.

Gosto de citar Ferrinho porque é dele a melhor imagem que tenho para este tipo de prognóstico eleitoral. Sempre que a discussão vem à tona, principalmente quando algum pré-candidato começa a contar vantagem, com aquelas contas mirabolantes, ele manda o dito cujo contar até cem. Cem votos! Aos que insistem nesse papo pra lá de chato ele recomenda: põe cem eleitores com os quais se podem contar, efetivamente, numa fila, pra ver o que acontece.

De posse da réplica (uma lupa) do único bem que ambicionei herdar de meu padrinho e compadre Antônio Tonanni, cuja campanha para vereador entrou para o anedotário político por sua estratégia de seduzir os eleitores (preferencialmente os índios) com apenas um pé de botina, prometendo completar o par só depois da eleição, saí à cata de nomes no noticiário político, numa vã tentativa de encontrar argumentos para poder voltar a falar sobre assunto com Zauith e Valdecir. Além de Maurício Lemes descobri Sadi Martins, o representante dos empresários do setor de combustíveis, mas, por laços de família, dividindo os votos com o próprio Maurício; o juiz aposentado e pecuarista Airton Stropa, por tudo o que a política douradense vive, com um bom discurso; o genro do juiz Eduardo Machado Rocha e filho, também, de ex-presidente da Câmara, Moacir Barreto, o tucano Tiziu; um pastor protegido de Murilo, um empresário de erva mate e que, acreditem! até comprou um time de futebol para fazer campanha, um representante de uma família tradicional da Colônia dos Italianos, e a coisa vai parando por aí. Tirante estes pré-candidatos, o sindicalista patronal Walter Castro, mas que acaba de sofrer um infarto e o ex-deputado Roberto Djalma Barros, tentando começar tudo de novo num desagravado ao filho, segundo ele injustamente embrulhado no pacote da Uragano.

A situação é tão desesperadora que, quem diria, o PT foge da proporcional como o diabo foge da cruz, devendo coligar apenas com o PSL de George Takimoto, assim mesmo para que Luiz Machado sirva de escadinha para Elias Ishi, este (o único) garantido! o PDT, para salvar Bebeto e Cemar Arnal tentando pegar carona no prestígio de Délia Razuk e no gogó de Marçal Filho com suas secretárias do lar, tranquilos, mesmo, apenas, demos, republicanos e ex-comunistas pendurados no PSB de Murilo. O resto é esperar quem desembarca melhor da carroceria do “caminhão de japonês”.  

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